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Dica de Filme: Atômica

em 3 de outubro de 2019


Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente do MI6 enviada a Berlim para investigar a morte de outro agente e encontrar a lista de agentes que ele portava. Seu contato local é David Percival (James McAvoy). 

Durante a Guerra Fria, ela cruza as duas Berlins em busca de respostas e acaba envolvida em tramas desconhecidas em que nem tudo é o que parece. 




Cenas de luta muito bem coreografas, ação, suspense com um ótima trilha sonora. O filme de David Leitch é um prato cheio para quem gosta do gênero de espionagem.
Atômica pela Darkside Books

A trama é baseada na HQ homônima que aqui foi publicada pela Darkside Books em formato de capa dura com 176 páginas. A capa é ilustrada por Sam Hart (Juiz Dreed e Tropas Estelares) e o autor é Antony Johnston, tendo uma arte em preto e branco similar ao estilo de Sin City. Sendo que a hq tem uma trama mais densa e com os protagonistas mais velhos que no filme. Porém ambas as mídias se complementam sendo as muito bem exploradas.

Um dos pontos altos do filme é a trilha sonora com músicas dos anos 80, vemos desde Queen, Depeche Mode e New Order, entre muitos outros. Não tem como não ouvir e não se apaixonar, pessoalmente virou minha trilha sonora pessoal desde que vi o filme e recomendo ambos. Quem ver não vai se arrepender.




A longa viagem a um pequeno planeta hostil

em 19 de novembro de 2017

Autor: Becky Chambers
Gênero: Ficção Cientifica, Space Opera.
Páginas: 347
Editora: Darkside

Neste romance de estreia, Becky Chambers nos conduz de forma extraordinária por uma viagem pelas estrelas a bordo da nave Andarilha. Através de sua tripulação somos apresentados a novas especies e culturas que tem alguns de nossos mesmos hábitos e questionamentos.
Rosemary Harper acabou de conseguir seu primeiro emprego em uma nave como guarda-livros. Não uma nave qualquer, mas uma nave perfuradora de túneis. Eles literalmente abrem "rasgos" no tecido do universo e criam buracos de minhoca que se tornam túneis para encurtar viagens espaciais. Mas, não foi por isso que a moça buscou este emprego. Algo em seu passado a fez fugir de sua casa em Marte, e talvez volte a assombra-la em um futuro próximo.

Além de Rosemary, os outros humanos da nave são: Ashby o capitão, ele contrata Rosemary por que é péssimo para organizar a papelada burocrática da nave. Temos Corbin que cultiva as algas que são usadas como combustível pela nave. 

Como a Andarilha é uma espécie hibrida, composta de partes de outras naves extintas isso exige reparos constantes, nessa hora entram os mecânicos Kizzy e Jenks, que tem uma preferência especial pela inteligência artificial da nave, chamada de Lovelace.

Como os alienígenas da nave temos Sissix, uma aandriskana (espécie reptil que me faz lembrar a Madame Vastra de Doctor Who) ela é a piloto da nave. Ela navega com auxilio de Ohan, um sianat par. Esta espécie tem a singularidade de ser hospedeira de um vírus que  faz com que sejam duas pessoas ao invés de uma (sim, é meio complicado).

Tripulação da Andarilha: Ohan, Ashby, Sissix, Dr. Chef, Jenks, Kizzy, Rosemary e Corbin. Arte de Wayfarer Crew.
Dr. Chef é o doutor e o chef culinário da nave e sempre sabe fazer excelentes baratinhas assadas gigantes por lá, ele é um Grum. Seu povo está a beira da extinção pelas constantes guerras eles também alternam o sexo durante as fases da vida, tendo gênero flúido. No momento em que trabalha na nave, Dr. Chef é masculino.

Toda este pessoal junto longe de ser confuso, fica maravilhoso. Becky consegue desenvolver a história e personalidade de cada um dos personagens. Suas diferenças culturais trazem diversos debates de temas como racismo, liberdade sexual e até eutanásia. 

Longe de ficar um livro pesado, ele é leve e divertido. Como se estivéssemos numa reunião de amigos e fossemos também parte da tripulação. Torcemos pelos personagens em suas vidas diárias.

Nenhum deles está numa saga épica para salvar o universo ou se vingar pela morte de alguém. Todos estão apenas na vida cotidiana espacial e somos os convidados da trama.

A edição da Darkside Books está primorosa como sempre. A capa brilha com seu céu estrelado e nós faz sentir vontade de olhar para ela o dia inteiro.

Fazia muito tempo que eu não encontrava um livro tão apaixonante e bom de ler. Este é um que com certeza agora é parte da minha biblioteca permanente. E você? O que está esperando para embarcar nesta viagem a um pequeno planeta hostil?



A Menina Submersa

em 6 de outubro de 2017

 Título: A Menina Submersa
Autor: Caitlin R. Kiernam
Páginas: 320
Editora: DarkSide Books


Quando vemos um livro DarkSide Books a primeira coisa que pensamos é: Que capa linda! O trabalho editorial impecável está presente em duas edições: brochura e capa dura. Esta última com direito a fita para marca páginas e uma linda capa em relevo prateado. 

Qualquer um ficaria feliz em ter um livro como este na estante. Tanto que, nem pensamos na sinopse do livro. Principalmente por que na capa vem uma recomendação de Neil Gaiman. Então compramos e ai esbarramos nos fantasmas da Menina Submersa.

Imp, digita sua história de fantasmas numa velha máquina de escrever. Ela começa por narrar seu dia e suas peculiaridades, muitas vezes dialogando consigo mesma. A narrativa não fica confusa, a autora sabe escrever de forma cativante.

Infelizmente, ao  passar mais da metade do livro e não ver os danados dos fantasmas. Comecei a concluir que: a protagonista estava imaginando tudo e nada era real.

E está é a verdade sobre o livro: Imp é esquizofrênica. 

Então tudo que ela fala de fantasmas, sereia e lobisomens... é tudo criação da mente dela em surto. 
Acho importante avisar por que eu teria aproveitado muito mais o livro se soubesse que era uma personagem em viagem interna.

A autora mergulhou profundamente na mente da personagem e podemos ver no auge de seus delírios a confusão de sua mente e também a jornada para sair disso.

Imp tem uma namorada com a qual ela passa estes momentos, de certa forma ela aparece retratada em seus delírios e embora até tente se afastar, acaba voltando pelo laço das duas. 

Acho um livro interessante para recomendar a quem quer uma leitura que saia do convencional e goste de tramas densas e intrincadas. Mas, se você não curte livros em memórias, escrito em forma de diário e sobre delírios, este não é um livro para você. Por mais lindo que ele seja. 

King of Thorns

em 10 de novembro de 2016

Autor: Mark Lawrence
Gênero: Dark Fantasy, Aventura, Ação
Páginas: 528
Editora: Darkside Books

Francamente não lembrava de vários detalhes do primeiro livro quando decidi ler o segundo volume. Embora tenha gostado, seu antecessor não me marcou a ponto de me lembrar obsessivamente da trama. Mesmo assim comecei a saga dos espinhos, e deste com certeza eu vou lembrar. 
King of Throns amplia ainda mais o universo de Jorg, viajamos com ele por diversos terrítorios e conhecemos neste volume o equivalente aos vikings deste mundo.

O livro alterna entre passado e presente  contando duas tramas de forma paralela. Mark Lawrence consegue fazer isto de forma primorosa e deixando ambas empolgantes e aos poucos desvendando cada um dos seus segredos. Ambas as tramas interagem entre si, mostrando os acontecimentos relevantes para os desfechos no presente.

Neste livro Jorg, agora Rei se vê sob ataque de rival que tem a pretensão de unificar os reinos e se tornar imperador. 

As consequências dos atos do primeiro livro estão presentes, como fantasmas se esgueirando exigindo que não sejam esquecidos. Não digo atemorizando, porque acho que nada poderia deixar Jorg com medo. Ele consegue lidar com a maioria dos problemas e o que não consegue ele coloca na caixa...

Sim, a caixa. É o elemento central do livro, algo ruim acontece e a única forma de preservar a sanidade do protagonista é um "feiticeiro" guardar está memória numa caixa. Esta caixa acompanha Jorg por todo o livro. Não se preocupem, este mistério também é revelado. Nada é deixado pendente. Está é uma das coisas boas na trama de Lawrence, todos os fios estão amarrados e o final do livro é satisfatório e genial, digno do protagonista.

Gostei muito deste segundo volume, Jorg parece mais humano e suas aventuras são muito bem narradas. Uma das coisas que sempre me questiono a ler a trama dos espinho é quantos irmãos o protagonista têm? Porque a quantidade que morre em todo livro é sempre tem gente é impressionante. Mesmo assim ainda tem irmão fulanito e sicranito vivos...e outros 15 desconhecidos.

O livro também conta com capítulos do ponto de vista de Katherine, que no livro anterior foi o interesse amoroso de Jorg. Em forma de diários, estes relatos são extremamente importantes para delinear o que aconteceu após os atos do livro anterior no antigo lar do protagonista.

Deixo então aqui a minha recomendação do segundo volume da trilogia dos Espinhos, vale muito a pena e pretendo ler o desfecho final Emperor of Thorns assim que possível. 

Sinopse: Este é o meu livro favorito desta excelente trilogia, pois tudo joga contra o nosso anti-herói Jorg. As apostas são altas e as reviravoltas, perfeitas. Depois de assassinar seu tio e garantir um pequeno reino nas montanhas, o jovem Jorg agora encara um inimigo carismático e poderoso – o Princípe de Arrow –, que parece destinado a reunir o Império Destruído. A ação salta entre o presente e o passado, e nos mostra como Jorg viajou pelo império e conseguiu reunir recursos e forças para enfrentar uma batalha aparentemente impossível de ser vencida. Acompanhamos também a história pelo ponto de vista de Katherine, a mulher que Jorg deseja mais do que ninguém, e que ele está destinado a não conquistar jamais.
Apesar de Jorg continuar a ser o mais maquiavélico dos protagonistas, sem hesitação para matar, mutilar ou destruir, caso isso o ajude a alcançar seus objetivos, passamos a compreendê-lo melhor neste livro, e é impossível não torcer por ele. Ele consegue renovar e dar uma reviravolta brutal, explodindo com todas as armadilhas românticas da grande fantasia – lealdade, honra, o bem contra mal e a fé em um causa maior. Às vezes, quando você vê aquele cavaleiro branco em seu cavalo, com uma armadura reluzente e um sorriso brilhante, só quer atirá-lo no chão e dar-lhe um murro na cara dele por ser tão perfeito. Se você já teve essa sensação algum vez, Jorg é o cara." Rick Riordan

Golem e o gênio

em 16 de setembro de 2016

Autor: Helene Wecker
Gênero: Fantasia / Fantasia Urbana | realidade fantástica
Páginas: 514
Editora: DarkSide Books


Golem e o Gênio conta a história de uma mulher feita de barro e de um Djin (um ser do elemento fogo) que chegam à cidade de Nova Iorque no começo do séc. XX depois de uma longa viagem. Quero dizer, uma viagem de uma semana para a Golem e de mil anos para o Djim.

Inicialmente, o que se passa com cada um é contado em capítulos paralelos até que, lá pelo capítulo XI eles finalmente se encontram. E essa passagem é marcada com um tipo de lirismo e muita cautela por parte dos dois protagonistas.

Logo de cara, sabemos quem é a Golem, para o que foi criada e acompanhamos o seu desenvolvimento até ela finalmente receber um nome: Chava. Quanto ao Djim, que recebe o nome de Ahmad, há toda uma cortina de mistério, já que ele não lembra como foi parar em uma garrafa. E as peças para esse quebra cabeça vão se montando ao longo de 29 capítulos + Epílogo.


O livro é um verdadeiro passeio de época por Nova Iorque, levando o olhar para as periferias pobres de imigrantes árabes e judeus.

O desenrolar do relacionamento entre Chava e Ahmad é cheio de nuances e pontos delicados de equilíbrio, postos à prova praticamente todo o tempo. A natureza de ambos é extremamente distinta: Ela é inocente, recatada, conformista, responsável e cautelosa na mesma medida em que ele é impulsivo, irresponsável inconsequente, passional e impetuoso.

O que achei de mais encantador nesse livro é o paradoxo enterrado nos protagonistas: eles são assustadoramente fortes, capazes de coisas incríveis e ao mesmo tempo extremamente frágeis e dependentes, tentando encontrar um espaço no mundo em que despertaram.

Não há cenas de ação intensas, o livro todo é uma teia de pequenos acontecimentos intricados. Uma pequena falha e logo tudo é posto a perder, assim como na vida real.

O drama se desenrola no cotidiano dos protagonistas e em como eles constroem seus relacionamentos com as pessoas ao redor. A sim, ia me esquecendo de comentar a quantidade absurda de personagens satélites nessa história. São todos muito bem desenvolvidos, e ganhando cada um,  descrições longas de chateantes. Sério, eu não precisava saber como um ifrit foi parar na cabeça de Saleh Sorvete mas em fim...

 A cada novo personagem que aparecia, eu levantava a sobrancelha e fazia bico. “Quero só ver como essa escritora vai dar uma função para todo mundo no final”. Para minha surpresa, sim, Helene Wecker consegue usar todo mundo no final, mostrando como cada um daqueles personagens apresentados tinham algo para contribuir com o desfecho.

Mas nem tudo são flores e foi impossível ignorar os momentos em que a narrativa se arrastou. Encontrei várias palavras grafadas erradas, erros de concordância e pelo o que me lembro, apenas um pastel (quando duas palavras estão juntas na impressão, sem espaço entre elas), sem contar o tempo verbal indeciso: ora no passado, ora no presente. Apesar disso, achei a tradução bem competente e mesmo que a revisão tenha falhado, para um livro volumoso como esse a quantidade de erros que encontrei são até “passáveis”.

Ainda achei que alguns personagens foram mal aproveitados, como Michel Levy e Saleh Sorvete. Aliás, Michel Levy não foi só mal aproveitado como também se tornou uma decepção para mim. Eu esperava mais dele. sério. Mesmo.

Há um local que é citado pelo menos umas 4 vezes e — nem preciso dizer que ele está na capa do livro, né? — pelo foco que esse lugar recebeu, imaginei que algo fosse acontecer lá. Só que não. Pelo visto era só um lugar que o Ahmad achava legal e fim. Tive que me conformar com isso. Tisc.

Leitura recomendada para quem curte romance de época, fantasia urbana e realidade fantástica e para quem adora colecionar livros também. Essa edição que a DarkSide produziu está lindíssima, com capa dura, aplicação em dourado, ilustrações e fita de cetim para marcar as páginas. Um absurdo de lindo.


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