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A Caçadora - Sorriso de Vampiro

em 7 de julho de 2020

Autor: Vivianne Fair
Gênero: Fantasia / Infanto juvenil
Páginas: 196
Série: A Caçadora , vol. 1
Editora: Draco


Em A caçadora - Sorriso de Vampiro, temos a protagonista Jessica Cross, que aos vinte nove anos, descobre que seus pais são caçadores de vampiros e que chegou a vez dela de levar o legado da família adiante.

E daí que, em vinte e nove anos a Jessica nunca suspeitou das viagens inesperadas de seus pais? E daí que as profissões deles não justificavam essas viagens (a mãe era professora e o pai, dentista. Técnicamente.)?  Ela nunca tinha parado para pensar nisso...

Então, um dia, ao voltar do trabalho (chatíssimo de secretária de contador. Paralavras da protagonista), Jessica é surpreendida por seus pais, com a história absurda de que ela foi recrutada por um tal de Conselho, para trabalhar como caça-vampiros. E que eles próprios (os pais da Jessica) eram caça-vampiros de elite.

Passado o susto, e depois de ter visto o tamanho do pagamento que receberia ao dar cabo de seu primeiro vampiro (partindo do pressuposto que os pais dela não eram loucos e não tinham tirado aquele cheque do nada, nem inventado o Conselho, etc, etc), Jessica parte em sua primeira missão: se disfarçar de universitária para caçar um vampiro chamado Eric, que está fazendo vítimas na Universidade da Pensilvânia.

Ao chegar lá, Jessica não encontra nenhum Eric. Ela encontra com Zack, um vampigato no auge dos seus oitocentos aninhos. Acontece que... Jess tem uma quedinha por caras bonitos. E sim, é claro que ela se apaixona pelo vapirão, que, tecnicamente, ela devia, a-ham (cof-cof) matar. E é bem aqui o início das aventuras caóticas e mais engraçadas de qualquer caçadora de todos os tempos!

Ler os livros da série A Caçadora é um ótimo passa tempo e rende sempre ótimas risadas, seja pelas situações inusitadas, pelas enrascadas  absurdas ou decisões nada inteligentes dos personagens. Aliás, personagens carismáticos é algo que tem de sobra nessa série! Começando pela própria Jess que fala mais que a boca, é doidinha e dona de um bom coração.  Os seus amigos "otakus" são hilários e sempre acabam salvando o dia (igualzinho as Powerpuff girls) e Zack o vampigato com sua aura rebelde e misteriosa cai como uma luva na história toda.

A série é recheada de referências pops e é incrivel reconhecê-las ao longo da leitura. E... Bom, essa é a resenha do livro 1, mas já temos as resenhas dos volumes 2 e 3 também. Acontece que eu comecei a ler essa série pelo segundo livro, depois fui para o terceiro e só então li o primeiro. Uma bagunça, né? Né.

E essa salada toda serviu para ver que é possível entender tudo o que está rolando sem precisar ler os outros livros para nos situar (mas assim como eu, você vai acabar querendo ler todos, pode acreditar!). E esse mérito é todo da escritora, que consegue situar o leitor sem tornar as infirmações repetitivas, mesmo para quem está lendo a série na ordem cronológica certinha.

É com uma saudadezinha boa que me despeço de A Caçadora e sua turma, que me fizeram conhecer outros livros da Vivianne e me apaixonar, como O Legado do Dragão, Quem precisa de Heróis e Rainha Sombria, já resenhados por aqui (ou quase isso).

Vou ficando por aqui e...
Até a próxima!




Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados

em 3 de março de 2020


Autor: Ana Cristina Rodrigues
Editora: Legendari
Gênero: Ficção cientifica/ Fantasia
Páginas: 256

Depois de ler Anacrônicas e Fábulas Ferais, FI-NAL-MEN-TE  pude ler o Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados da Ana Cristina Rodrigues. É um livro que eu estava esperando há um bom tempo e fui buscá-lo na Bienal do Rio 2019 direto com a escritora, de quem sou fã.

Uma mulher sem memória acorda no deserto. Ao seu lado, há um livro que leva seu nome: Clio. Ela não caminha muito até encontrar Íbis, um homem-morcego em busca de redenção, e uma estátua animada de metal, o Rei-Máquina fugitivo da cidade de lata e louco. Ah, Clio também encontra um cavalo misterioso e juntos, o quarteto improvável parte sem rumo pelo deserto, em busca de respostas para perguntas que eles vão formular pelo caminho.


Eu poderia dizer que a narrativa de Atlas é onírica. Cada capítulo tem um misto de sonho, de memória perdida e reencontrada. E ao longo desses capítulos, cuja história se passa durante três dias, vamos conhecendo os caminhos que levaram cada um dos protagonistas ao Deserto Sem Nome.

Os personagens, ricos e complexos, são o resultado de si mesmos: Clio é forte, impetuosa e inconsequente. Ela não mede esforços quando se trata de defender seus ideais e o que acha certo. Nascida em Biblos, a cidade-biblioteca, Clio também é uma exilada, expulsa de sua própria cidade por causa de suas intenções revolucionárias.

Íbis é um homem-morcego. Ele carrega uma grande mágoa em seu peito, e revive suas dores infinitamente dia após dia. Íbis é competente, ágil e sensível. Não se engane com a carapaça selvagem e mau humorada que ele aprendeu a usar por ser um general, por ter nascido e crescido em meio a guerra entre as feras e os humanos, por ser responsável por tantas vidas e por ter perdido a que ele considerava mais importante entre elas. Sim, Íbis cometeu muitos erros, mas, afinal, ele é um homem. Ainda que morcego.

Já o Rei-máquina é um autômato. A grosso modo, seria um robô humanoide. Eu chamaria de androide. No entanto, ele adquiriu consciência própria, provou do sabor perigoso que é arquitetar uma grade mudança e foi punido com a loucura. Ele já não sabe quem é, mas nada que um passeio no deserto na beirada do fim do mundo não refresque sua memória.

Ah... tem também o Viajante. Ele é um personagem curinga, uma pecinha que parece solta, mas só parece. E não me atrevo a falar mais do que isso sobre ele.

A leitura de Atlas Ageográfico é como saltar e mergulhar o tempo todo. Saltamos de um personagem para o outro e mergulhamos em cada um deles, para no fim, encontrar o fio que une a todos. Saltamos e mergulhamos em cidades, cenários e aventuras. E de escrever essa resenha, sinto vontade de reler o livro que, pasmem, acabei de ler!

O Atlas é hipnótico e imersivo. A Ana usa elementos oníricos e os entrelaça a elementos de sci-fi e o resultado não poderia ser outro se não um incrível mosaico em que cada pecinha é importante para se construir a paisagem, e, por consequência, a história de um lugar que mesmo imaginado, possui suas próprias regras.

Livro super indicado para quem adora uma leitura com pegada experimental, ficção cientifica e fantasia, assim, tudo junto e misturado.

Vou ficando por aqui e... até a próxima folks!

Fantásticas - Contos de Música & Fantasia protagonizados por Mulheres

em 23 de setembro de 2019

Autor: Vários autores
Organizadores: Giulia Moon e Walter Tierno
Editora: Giz Editorial
Gênero: Fantasia
Páginas: 128

Fantásticas - Contos de Música & Fantasia protagonizados por Mulheres, é o terceiro livro da Série Fantásticas,  coletânea de contos de fantasia que trazem mulheres como protagonistas, sempre explorando um novo desafio em cada volume.

No primeiro, os contos foram de "riso, aventura e medo". O segundo foi fantasia e gastronomia, em que os contos foram inspirados em comida ou bebida e traziam as receitas no final. Tanto eu, quanto a Josy aqui do barato, publicamos nos dois primeiros volumes de Fantásticas.  E então chegou o terceiro volume, com tema Música e Fantasia, em que cada conto foi inspirado em uma canção!

Fantásticas Música & Fantasia tem oito contos que passaram voando, eu mesma li o livro todo em uma tarde! Cada autor tem seu próprio ritmo, sua própria voz e assim fui passando de uma protagonista a outra com facilidade.

Sem contar que a leitura acompanhada da palylist criou toda uma atmosfera especial. Ainda hoje, se escuto Danse Macabre, o conto da cornucópia assombrada me vem à mente.

E falando um pouquinho de cada conto...

 " Cornucópia" de Hellen Sabo

A protagonista se chama Denysy e é uma universitária de antropologia muito dedicada. Tão dedicada que acabou se metendo num problemão junto com seu orientador. Falando assim, parece apenas mais um conto que se passa em um universidade, né? Mas não se engane. O conto vai crescendo, tomando forma, até que a gente chega no final torcendo para nunca ouvir a canção que a Hellen criou para essa história, com pitadas de horror e suspense, me prendeu do começo ao fim.

"A banshee rest calm" de Rainner Leehmann

Uma história de amor, tragédia e vingança, tudo ali, misturado e transbordando sentimento. Lily é uma Banshee apaixonada por uma sereia chamada Mel. Depois de um acontecimento terrível, Lily se vê caçando o culpado pela sua vida ter se tornado tão miserável. A cena da Banshee fazendo um show cover é dilacerante! O final do conto tem uma virada que me deixou com sabor amargo na boca.

"Superstição" de Amanda Jordão

Conta a história de Bruna, uma garota totalmente racional e também totalmente amaldiçoada com um azar que nem consigo mensurar. Um conto leve e descontraído que me tirou umas boas risadas com as cenas totalmente no sense em que a protagonista se mete com sua incrível falta de sorte.

"Livre estou" de Daniela Prado

Conta a história de uma garota que trânsita entre dois mundos e descobre que nem tudo é o que parece e que muitas vezes não podemos confiar nem mesmo em que diz nos amar... Um conto que apesar de estar na categoria "fofo" não deixa de ter sua dose de drama e aceitação.


"Os dragões da caixa de música" de Ellen Monteiro

Uma garota curiosa, apaixonada por fantasia e uma caixa de música que não deveria ter sido aberta. Essa é a premissa desse conto que também está na categoria iti-malia-que-coisa-fofa-eu-estou-vendo-aqui.  Eu sou apaixonada por dragões, né? Nem preciso dizer o quanto me diverti com essa história de seres míticos que realizam desejos ao contrário....


"Nossa Canção" de Cristina Vieira

Sabe aquela história que te pega de jeito, que vai te levando e quando você percebe já está tão envolvida que não queria que acabasse? A protagonista, Dona Luiza, é uma senhorinha que viveu tudo o que tinha para viver, mas ainda tem um segredo de amor muito especial. Uma história que celebra o amor e as boas lembranças. #soufãfacris

"Retrato de cosplay" de Vera Pereira

Luana é uma estudante de design que tem o hobby de fotografar a cidade e postar no seu blog. Um dia, ela fotografa um grupo peculiar de cosplays e depois disso passa a esbarrar frequentemente com uma das garotas mais misteriosas do grupo. Entre ajudar a mãe com o irmão mais novo e se dividir entre a faculdade e o estágio, Luana resolve descobrir quais o segredos da moça cosplay que ela sempre encontra no parque...  Um conto com ar de lenda urbana, com uma protagonista curiosa e decidida!

"A casa sem portas nem janelas" de Carol Heksai

E chegamos ao último conto desse livro, fechando a coletânea com chave de ouro.  Aqui, a protagonista Roberta é raptada por alguém que ela nunca viu na vida. Depois de emparedada e pronta para aceitar o fim, ela se vê numa trama difícil de assimilar. Até que a razão por tudo aquilo ter acontecido chega a tona com  uma pegada de terror psicológico, suspense e ficção cientifica. Nunca mais ouvirei a música Stein um stein da mesma maneira que ouvia antes.  Um dos meus contos favoritos desse Fantásticas!

"Fantásticas" é um projeto dos escritores Giulia Moon  (série Kaori) e Walter Tierno (Cira e o Velho e Anardeus), em que eles reúnem novos escritores nos cursos de escrita do Fome de Letras e chegam ao resultado maravilhoso que é essa coletânea.  O projeto gráfico está lindo mais uma vez e o ritmo entre os contos garante uma leitura gostosa e imersiva.

Uma coletânea de música e pede playlist, né? Dá para conferir as músicas que inspiraram os contos no Spotify. É só clicar aqui!

Vou ficando por aqui,
Até a próxima, folks!

Good Omens (Belas Maldições)

em 3 de setembro de 2019

Título: Good Omens - Belas Maldições
Editora: Bertrand
Autor: Neil Gaiman e Terry Pratchet
Gênero: Fantasia, comédia
Páginas: 364



A primeira vez que li Belas Maldições, o livro não se chamava assim, porque li em inglês, e numa tradução livre, Good Omens estaria mais para "bons presságios" do que para maldições, ainda que belas. Uma edição antiga, de bolso, daqueles que a gente compra em qualquer banca de jornal em Londres (embora a minha edição seja americana). 


Me diverti muito com as presepadas de Aziraphale e Anthony Crowley, tentando entender o tal do plano inefável do todo poderoso e ganhar mais um tempo aqui na terra.  Mas na época eu não quis resenhar, por motivos de: "Ah, não tem em português." Só que tinha. E a criatura aqui ignorava totalmente a existência de Belas Maldições.


Eis que, em Maio/2019, a Amazon Prime lançou a mini série de 6 episódios. E eu resolvi ler novamente antes de conferir a adaptação. Mas dessa vez, a versão traduzida, é claro. Afinal, dessa vez, eu sabia que Belas Maldições e Good Omens eram a mesma coisa. Ou quase isso.


E depois da introdução mais longa da história desse blog, eis, finalmente, a resenha!

Então, o mundo foi criado. Adão e Eva foram expulsos do paraíso e se tornaram os primeiros humanos a povoar a terra. E eles vieram junto. Você sabe, Aziraphale, o anjo e Crowley, o demônio, que mudou de nome com o passar do tempo. Originalmente ele se chamava Crawly, o rastejante, um demônio serpente.

Passaram-se os milhares de anos, as hecatombes bíblicas e as não registradas, as guerras e as revoluções,  e a dupla anjo e demônio vendo tudo acontecer, se afeiçoando cada vez mais à humanidade até quase esquecerem suas funções e origens. Eu disse quase.

Um dia, quando muito já bem estabelecidos, ali pela década de 90, Crowley recebe a ordem de entregar o anticristo ao mundo. Ele só precisava trocar os bebês numa maternidade de freiras satanistas (sim, você leu certo: freiras satanistas) e se certificar  de que o anticristo cresceria numa família influente, capaz de incitar a guerra. E dali a onze anos, quando o anticristo encontrasse com seu cão do inferno, o mundo finalmente encontraria o Armagedom. E então as hordas celestiais e infernais poderiam ter seu combate final. A guerra de todas as guerras.

As coisas não acontecem exatamente como deveriam acontecer, fazendo com que Crowley e Aziraphale se unam para evitar que o mundo acabe, rendendo cenas hilárias:

1 - A união/amizade deles não pode ser explícita, afinal eles tem que prestar contas aos seus devidos departamentos, e tecnicamente, anjos e demônios não se misturam;

2 - A amizade deles é a definição de confiar desconfiando: Aziraphale é um péssimo mentiroso e Crowley, apesar de ser demônio, às vezes acaba sendo crédulo demais.

Mas a história não se resume a essa dupla, existem outros fios que vão se desenrolando em paralelo, até que todos se unem no final.

Um desses fios é a trilha seguida por Anathema Device, uma bruxa descendente de Agnes Nutter, que escreveu "As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter".  Anathema segue as previsões de sua ancestral e sabe que o mundo está para acabar. Já sabe até onde vai acontecer a coisa toda. Mas não faz ideia de quem é o anticristo e o que fazer para derrotá-lo e evitar o fim do mundo.

Temos também Newton Pulsifer, um rapaz descendente de antigos caçadores de bruxas e que acaba se envolvendo nessa coisa de fim do mundo só porque estava entediado. O Sargento Shadwell, líder do exército Caçador de bruxa, Madame Tracy, uma médium, vizinha  o sargento e por fim...

Temos o grupinho de arruaceiros da cidadezinha de Lower Tadfield, conhecidos como os "Eles": quatro crianças de onze anos, cujo lider é Adam Young, ninguém mais ninguém menos que o próprio filho do diabo, embora ele não faça ideia de sua origem.

Ah, e tem também os quatro cavaleiros do apocalipse e isso por si só, já é um show a parte, rendendo ótimas cenas nas apresentações de cada um.  Guerra, Fome, Peste e Morte, apesar de cavaleiros, estão mais para motoqueiros do apocalipse. E nessa história, Peste se aposentou e o cavaleiro Poluição assumiu o seu lugar.

Por mais estranho que pareça ser, todos os fios apresentados ao longo dos sete capítulos se unem naturalmente, fazendo a leitura fluir rápida e divertida.

Belas maldições é uma fantasia de comédia, com humor inteligente e perspicaz, provando mais um a vez porque Gaiman e Pratchett são leituras indispensáveis para quem adora o gênero de Fantasia. 


A inversão dos pontos de vista dos personagens ao longo da história e a brincadeira com os múltiplos significados das coisas, torna essa leitura única. Falar do fim do mundo, de anjos e demônios, de crianças e outros humanos com humor e sem se render ao maniqueísmo (divisão do mundo entre bem e mal) é simplesmente incrível. 

Leitura indicada para quem curte comédia, humor inteligente e uma boa fantasia fora do lugar comum.

Até a próxima, folks!

Alys - Elemento ômega

em 5 de março de 2019


Autor: Priscila Gonçalves
Gênero: Fantasia / Ficção
Editora: PenDragon
Páginas: 220

Alys Elemento ômega é o segundo livro da série de fantasia da escritora nacional Priscila Gonçalves.  A resenha do livro anterior "Alys - elemento Alpha" você encontra bem aqui. 

Elemento ômega é a continuação direta de Elemento Alpha, em que os acontecimentos finais deixam o leitor com o coração na mão.

No segundo volume, temos uma Alys que está amadurecendo rápido: não é como se ela tivesse a opção de deixar para depois a missão da qual depende toda a vida na terra.
No Livro anterior, Alys descobre fazer parte de um mundo bem diferente do que acreditava conhecer e cai sem paraquedas na missão de devolver a magia ao mundo, encarando o desafio Primeira Lua.

Depois desses acontecimentos, a humanidade pós-metal passa a sofrer mais transformações, sentindo o despertar da magia, instalando-se o pânico e o medo. Mas isso é só o começo: há uma Segunda Lua e um novo elemento para ser liberado no mundo é bem aqui onde se passa a história de Alys - Elemento Ômega.

Negociações políticas, missões diplomáticas, treinamentos, pesquisas e mais pesquisas. Essa é a nova rotina extenuante e enlouquecedora que Alys, uma garota que até bem pouco tempo só tinha que driblar o pai super protetor.

E como se isso não fosse pressão o suficiente, Alys ainda precisa lidar com as perdas que sofreu no livro um: não há tempo para aceitá-las, pois é preciso seguir em frente. Ainda assim...

Quem teria coragem de assumir suas fraquezas quando há tanto em risco? Em  Elemento ômega,  nós viajamos com Alys em sua busca para se tornar mais forte, ao mesmo tempo em que ela nunca se sentiu tão frágil na vida: há muitas incertezas. Alys não sabe o quê ou quem ela está se tornando com tantas transformações que já tinha passado e que ainda iria sofrer.  

Boa parte do livro se passa sem a presença do guardião Evan. E Alys tem que se virar de várias maneiras sozinha: enfrentar ataques, lidar com as mudanças constantes, os perigos iminentes, dominar seus dons mágicos e sobreviver aos treinamentos com Thela. O mundo que se abriu para a protagonista no volume anterior, continua se expandindo.

E por falar em expansão... Kyer (lembra dele? melhor amigo da Alys desde sempre) além de ter sido descoberto como a personificação do Grande Sábio, também assume uma nova função no Conselho e vai ter que lidar com responsabilidades cada vez mais sérias.

Uma das facetas que me surpreendeu nesse volume foi o aprofundamento na origem do vilão Zmora, que escorregou do livro um para o dois e está ficando cada vez mais forte. Ao descobrirmos a história dele, percebemos que, de um jeito ou outro, todos tem seus próprios motivos para tomarem as decisões que tomam.

E de pano de fundo, quase imperceptível,  temos duas forças aparentemente ancestrais (digo aparentemente pois ainda é uma hipótese, coisa que concluí com a leitura, embora a escritora não tenha deixado isso claro), movendo suas teias ao longo dos capítulos, nos oferecendo um suspense extra e deixando mais perguntas ao longo do caminho.

Elemento Ômega, tem 32 capítulos dinâmicos e precisos, narrados em primeira pessoa por Alys, uma protagonista bem humorada e cheia de vida, que me fez perceber que não importa o quão longe fomos, o quão cansados estamos. Se estamos de pé, é porque ainda aguentamos dar mais um passo, olhar mais uma vez para o céu e seguir em frente. Inspirador, não?

E por falar em inspirador... o novo projeto gráfico da série está lindo, com as capas internas coloridas!

Vou ficando por aqui e até a próxima folks!

Quadrinhos da Minha Estante #11

em 6 de novembro de 2018

Angela Della Morte

Autor:  Salvador Sanz | Arte: Salvador Sanz
Editora: Zarabatana[Edição Especial]Páginas:  96

Num futuro não tão distante, numa humanidade não tão diferente da nossa,  a morte na verdade é um ser vivo que se alimenta de almas. Quando nossas almas saem de nossos corpos,  temos 35 minutos para voltar. Depois desse tempo, a "morte" nos encontra e devora nossas almas. 

E é neste cenário que se desenrola a história de Angela, uma agente de campo dos Laboratórios Sibelius, especializada em simular sua própria morte, transferindo sua alma para corpos vazios e realizando missões sombrias que vão desde espionagem industrial até assassinatos encomendados. Muitas de suas missões, inclusive, envolvem combater espiões do "Governo Fluo", laboratório concorrente de Sibelius.
Quando bati o olho nessa capa, tudo me chamou atenção: Uma mulher astronauta em primeiro plano,  um macaco sombrio no segundo plano e lá atrás, um mecha gigante. Ah sim, presta atenção no cenário: se não estão na lua, com certeza estão em algum lugar do sistema solar fora da Terra. Na contracapa há um texto instigante do fundador dos Laboratórios Sibelius e um painel que mostra a protagonista mais uma vez. 

Folheei a HQ e sem dúvida alguma trouxe comigo para casa. Meu faro para boas histórias foi praticamente seduzido pelo traço forte e quase metálico de Salvador Sanz. 

O clima de fantasia e ficção cientifica de Angela Della Morte passeia entre o lúgubre  e o insólito. E apesar do cenário ser incrível, eu meio que me apaixonei pela simplicidade complexa da personagem de Angela. Ela é humana, não tem super poderes. Tem falhas de caráter, tem medos. Mas é excepcionalmente boa em seu trabalho. E chega a ser quase uma contradição, um paradoxo, que tudo dê errado na sua vida exatamente por ela ser muito boa no que faz. 

A história desse primeiro volume é dividida em 3 arcos: Desalmada, O Perecedor e Soltar a Fera (esses dois últimos divididos em duas partes). A gente não tem muito tempo para absorver o universo ou pensar a respeito do que estamos lendo. Depois de uma breve apresentação do cenário, já começamos a acompanhar  os acontecimentos na vida de Angela.



No terceiro arco, Angela e seu assistente (um agente que está ocupando o corpinho do macaco da capa) estão na lua. E como se as coisas já não estivessem sinistras o suficiente, Salvador Sanz mostra que sempre dá para piorar. O final mostra uma ponte para uma continuação que me deixou com uma colônia de pulgas alucinadas atrás da orelhas.

Saindo um pouco do foco da protagonista (que me cativou por ser simplesmente humana, boca dura, durona - ou nem tanto - e imperfeita), o enredo de Angela Della Morte surpreende pela forma simples com que temas complexos são apresentados e tratados. Além da morte ser um tipo de ser vivo que fareja e devora almas fora do corpo, o avanço cientifico tornou possível extrair a maldade humana (nomeada de veneno cinza) através de processos cirúrgicos. Sanz transformou sentimentos e conceitos em coisas tangíveis e passíveis de serem extraídas, manipuladas e usadas para fins nem sempre nobres, afinal, não importa o que aconteça, ainda somos humanos.

Esse álbum, publicado em 2012 pela Zarabatana Books é uma edição especial, que reúne os 5 primeiros  capítulos da HQ argentina, onde, originalmente, as aventuras de Angela Della Morte foram seriadas, produzidas e publicadas na revista Fierro. Informação que eu só descobri pesquisando para esse post, pois não há nada falando sobre isso na publicação brasileira. E para minha tristeza, o volume 2 nunca foi publicado por aqui e não sei se existem planos.

Leitura super indicada para quem curte sci-fi e fantasia com uma boa dose cáustica de existencialismo.

Vou ficando por aqui e... até a próxima folks! ✌

De volta para casa

em 24 de julho de 2018

Autor: Seanan McGuire
Gênero: Fantasia
Páginas: 184
Editora: Morro Branco

"...e a única pessoa que pode lhe dizer como sua história termina é você".
Crianças sempre desapareceram nas condições certas: escorregando pelas sombras debaixo da cama, atrás de um guarda-roupa ou caindo em buracos de coelhos e em poços velhos, para emergir em algum lugar... diferente."


"De volta para casa" é um daqueles livros que pegou duas barateiras de surpresa e nos uniu em uma única resenha!

Primeiro, a Josy leu. E então ela pensou: não posso ler isso sozinha! E ela falou tanto que a Dany leu. E o resultado é esse post duplo, em que a gente vai tentar contar o que achou desse livro que, apesar de curtinho e de prometer uma fantasia fofa, nos pega desprevenidos e pá! Nos joga dentro de uma história cheia de suspense, terror e um tanto de fofurices (por mais estranho que isso pareça).

Nancy é uma garota que acabou de entrar numa escola especializada em "crianças desajustadas". Ah não, ela não cometeu nenhum crime. Não saiu por aí matando ninguém também. Ela só sumiu por um tempo e quando voltou, já não era mais como seus pais gostavam que ela fosse.

Ela assim com a Alice que foi para o País das Maravilhas, acabou encontrando uma porta que a levou para a dimensão do salão dos mortos. E depois de passar um tempo lá, foi enviada de volta para o lugar que tinha nascido. Porém ela já não era mais a mesma que tinha partido. Tinha encontrado o seu verdadeiro eu. Só que a verdadeira Nancy não era bem o que a sua família achava que era o certo. Então ela foi enviada para uma escola que prometia devolver as crianças normais para suas famílias.

E chegando lá, Nancy descobre que não há somente o Salão dos Mortos de outra dimensão para ir passear. Há o mundo das caveiras dançantes, das aranhas mil olhos, das fadas, dos doces falantes! Ela não foi parar em nenhum desses mundos. Ela só descobriu que todos os seus novos colegas também tinham encontrado outros mundos e assim como ela, desejavam voltar pra lá com todas as forças dos seus corpinhos. Exceto Kade. Ele era diferente.

E quando Nancy começa a se acostumar com aquelas maluquices todas, eis que... acontece a primeira morte na escola e as coisas vão ficando sombrias e assustadoras. E entre desconfianças e desaforos, a turma da escola vai precisar se unir para se manterem inteiros (e vivos) até o final do livro.

A Edição da Editora Morro Branco está lindíssima, com uma super capa dura e verniz destacando bem a imagem da porta.  Infelizmente, o título poderia ter uma tradução melhor do original que é Every Heart is a Doorway, algo como Todo coração é uma porta. E remete ao fato de cada criança ir para o local que seu coração chama, bem poético. 
De volta para casa parece título de novela das 20 ou Filme romance da Sessão da Tarde, e não remete em nada a fantasia da história.

Dany:

Fui pega de surpresa. Estava achando tudo muito fofinho quando apareceu a primeira morte. A escritora não ligou de ser malégna com a morte e a descrição de como estava o cadáver. Meus personagens favoritos são Kade, um garoto trans que se descobriu no mundo das fadas. A história dele é um pouco triste, pois, além de ter sido expulso do mundo das fadas, sua família não o aceitava mais. E pra ele só restou viver para sempre na escola "para crianças desajustadas". 

A maneira como esse personagem é retratado, me encantou: a autora lidou com isso com suavidade e naturalidade, como realmente deveria ser na vida real. Aceitar que cada um tem sua essência, tem sua alma e sua maneira de existir. Isso é essencial, e essa mensagem me cativou muito nesse livro. E acho que foi por isso que no final das contas achei a leitura super fofa! Até gravei um vídeo para o Canal Alcateia falando sobre "De volta pra casa".

Dou quatro baratinhas! (porque achei o final previsível, mas a leitura é super recomendada!)

Josy:

Quando peguei De volta pra casa pensei: Aff! Alice no País das Maravilhas... (Não era meu conto de fadas favorito). Mas ao descobrir que Nancy ia para um submundo e todas as outras crianças também tinham seus próprios universos particulares, a história me cativou.
Gosto particularmente de Jack, a cientista maluca que parou em um mundo tipo Frankstein, e por alguma razão me lembra Steampunk. 
Embora a Dany tenha achado o final prevísível, eu gostei dele e acho que se a autora quiser poderia fazer uma continuação sem problemas com qualquer personagem da trama, por que todos foram bem desenvolvidos com suas peculiaridades.

Dou quatro baratinhas também! (porque apesar de gostar do livro não chega a ficar no meu top favoritos da vida, mas talvez entre nos melhores do ano de 2018).

A Caçadora de Dragões

em 5 de julho de 2018

Autor: Kirsten Cicarelli

Gênero: Fantasia, Ficção
Páginas: 408
Editora: Seguinte
Série: Volume 1 - Iskari

Em um mundo em que Dragões existem, Asha atua como sua caçadora e principal inimiga. Uma cicatriz que percorre seu rosto e corpo é um lembrete de como as criaturas são cruéis e podem destruir a tudo que ama se não extingui-las. 

Mas será que sempre foi assim?

 Essa é a premissa do primeiro volume da série Iskari de Kristen Cicarelli, lançado no primeiro semestre pela Editora Seguinte. Asha é uma personagem forte, destemida e que quer ao máximo agradar a seu pai. Ela se sente culpada pela morte prematura de sua mãe quando era pequena e por isso se dedica a caçar os dragões. Para assustar a todos seu pai e também Rei, concede a ela o título Iskari. Nome da antiga deusa da destruição. 

Isso longe de fazer o povo amá-la, faz com que todos queiram distância dela o que faz com que ela fique cada vez mais endurecida e não acredite em amizades gratuitas. Infelizmente uma das coisas que ela se propôs a fazer para se redimir pelo seu passado é casar com atual general do exército, um homem machista e de caráter questionável.

Quando era criança o dragão Kozu queimou metade do reino e todos culpam Asha pelo ocorrido, mesmo que ela tenha sido a única sobrevivente com cicatrizes. Deste então ela se redime caçando dragões.

Aos poucos no entanto, certas coisas começam a fazer nossa protagonista a questionar o porque das coisas serem feitas como são: como os dragões se voltaram contra o povo sendo que antes eram aliados? 

O livro foi uma grata surpresa, comecei a ler sem expectativas e me surpreendi com a trama e devorei rapidamente a história. Asha é forte e tem uma personalidade própria e característica que a deixa bem marcante. Ela cresce junto com a história quando aprende com seus medos e erros. É uma grande protagonista.

Os personagens secundários são bem desenvolvidos e a forma como as coisas são reveladas prendem o leitor até a última página nos deixando ansiosos pelo próximo volume.
Vale a pena a aventura e aguardo ansiosa pelo próximo. ;)

O Legado do Dragão

em 5 de junho de 2018

Autor: Vivianne Fair
Gênero: Fantasia 
Formato: E-book
Páginas: 301


Eu sou absolutamente fascinada por Dragões. Desde... Sei lá! Desde sempre! E aí, eu acabo levando comigo todo livro que tem "Dragão" no título. Às vezes, eu acabo me arrependendo, e outras vezes, eu tenho uma grata surpresa, e com certeza, O Legado do Dragão é uma delas.

Missandra é uma princesa, filha de um rei muito famoso, responsável por trazer de volta a paz ao mundo. Isso é o que a gente vê por fora. Mas sempre tem mais, né? Sim, sempre tem!

A verdade é que, quando a gente olha mais de perto, Missandra é uma princesa rebelde, que está perdendo a paciência com essa história de encontrar um noivo e tal. Todos os pretendentes que aparecem, simplesmente desistem. Somem, evaporam, voam de volta para seus reinos tão tão distantes. E esse é só um dos mistérios interessantes desse livro.

Além da rebeldia, (ou talvez por isso mesmo) Missandra também nutre uma admiração especial pelos extintos Dragões. O pai dela, o Rei Gallad, foi o cara que conseguiu matar todos os Dragões e restaurar a paz não só de seu reino mas de todos os outros, "até os confins do reino de Landom".  A princesa coleciona escamas dos seres alados e procura sempre por pedaços da história que ninguém conta. É que, depois que os dragões foram varridos da existência, tudo relacionado a eles ficou proibidão. Eles se tornaram praticamente "aquele cujo nome não se pronuncia."

Tudo ia muito bem, no mais do mesmo, até que um gigante Dragão Azul aparece do nada e  numa cusparada de fogo, destrói boa parte do reino de Missandra. Essa é uma das partes mais legais do livro. A princesa encarou o enorme dragãosão. Eles encararam um ao outro e ele se foi. Gente, sério, essa cena é de arrepiar o esqueleto além de me render umas boas risadas! Também me rendeu umas boas e muitas perguntas: se os dragões estavam mortos de onde surgiu aquele? E gente, porque ele não saiu matando geral? Ele deu uma tostada no reino, olhou para a princesa e pá! Foi embora. Como assim? Esse é outro dos mistérios interessantes desse livro². 




Entre meio que se sentindo culpada e meio que tentando salvar os humanos e os dragões (ou os dragões dos humanos), Missandra se joga numa missão que ela não sabe onde vai dar, e muito menos se consegue dar conta. Mas vai mesmo assim, com a cara, a coragem e o coração. E põe coração nisso. Muito coração. Tem coração pra caramba nessa história. Eu já disse coração? Ah, tá. Só lendo para sacar esse coração todo. E é durante essa missão, que a história vai se descortinar de verdade e onde Missandra  finalmente vai ter todas as suas respostas. E nós também, né?

O Legado do Dragão tem muito humor, característica da escrita da Vivianne (de quem eu já resenhei dois livros da série A Caçadora e o livro Rainha Sombria). E trata da questão da auto descoberta com leveza e ao mesmo tempo emoção. E nesse livro em especial, os personagens são um show a parte. Sério.

Vamos começar pela protagonista: Missandra é o centro mesmo da bagunça toda e a gente fica torcendo por ela o tempo todo. Ela é a prova que a teimosia as vezes nos leva para algum lugar. Ha-ha.

Lantis é o guarda-costas sinistro da Missandra. Ela tem certeza que ele quer torcer o pescoço dela na primeira esquina deserta disponível. E não vou negar, eu quase achei o mesmo. O motivo? Bom, esse é outro mistério do livro! O charme desse personagem é sua aura misteriosa, caladona. Ele prefere fazer do que falar e guarda consigo um segredo que vem lhe destruindo por dentro. Literalmente falando.

E por falar em sinistro, Dhalek é o cara mais dúbio da turma. Sério. Ele surge de uma maneira tenebrosa e apronta cada uma que eu mesma quis dar cabo dele. Apesar do seu estilo cafajeste, a gente acaba querendo descobrir quem ele é e de onde veio. A coisa é tão complicada que nem ele sabe!

E o prêmio fofura vai para... Mane! Pensa num num cara fofo, amigo para se meter em encrencas com você, para te inspirar e viajar na maionese! Ah, e ele se comunica com os animais. De onde veio esse dom? Outro mistério desse livro! Mane é o melhor amigo de Missandra e tem um passado tão desconhecido que nem ele conhece! Mas a gente vai acabar descobrindo, de um jeito ou de outro.

Há uma última coisa que gostaria de falar nessa resenha. Uma coisa que poderia passar despercebida, mas para mim não passou. A escritora nos apresentou em O Legado do Dragão, uma miscelânea de seres mágicos e reinos heterogêneos. Tudo ficaria bem se ninguém se metesse na vida um do outro a ponto até de negar ajuda. Afinal, as raças não se misturam... e o mais especial aqui, é que toda essa galera aprende que são justamente as diferenças que nos tornam iguais, ou pelo menos, seriam justamente as nossas diferenças que deveriam nos unir. Quer dizer, nem todo mundo aprende. Aramis que o diga...

Livro super indicado para quem adora uma aventura leve, divertida mas mesmo assim bem emocionante! E para quem adora Dragões e personagens cativantes, que ficam martelando na cabeça um tempo depois da leitura... hihihi!

Vou ficando por aqui e até a próxima folks!

O vitral encantado

em 17 de abril de 2018


Autor:  Diana Winne Jones
Gênero: Ficção / Fantasia
Páginas: 304
Editora: Galera Record

Andrew Brandon Hope, um homem já pela casa dos 30 anos, recebe a herança do seu avô: uma casa de campo, a "Mesltone House". 


E quando Andrew se muda para a casa, lembranças de sua infância mágica começam a chegar aos poucos e ele percebe que sua missão ali não é só cuidar da casa e dos empregados que permaneceram depois da morte do Sr. Jocelyn Brandon...

As coisas ficam ainda mais estranhas com a chegada do misterioso Aidan Cain, um garoto que busca ajuda e proteção em Melstone House e aciona ainda mais lembranças em Andrew. Juntos, exploram detalhes da casa e ainda lutam contra o suposto pai de Aidan, um sujeito assustador, que deseja matar o próprio filho.

As histórias de Andrew e Aidan se entrelaçam e descobrimos sobre um e sobre outro ao mesmo tempo em que eles aprendem sobre si mesmos.

Nesse livro, não há a urgência de salvar um mundo inteiro, mas a há a urgência de encontrar a origem dos personagens e salvar o seus pequenos mundos. Tudo com uma narrativa suave e bem humorada. É preciso salvar não somente Aidan das garras do seu pai mágico, como também é preciso fazer com que Andrew lembre e entenda as coisas que o avô ensinou, antes que a vila toda venha a entrar em colapso. E claro, há o Vitral e todas as respostas estão ali.

Uma das coisas que mais me agradaram durante a leitura foi a naturalidade com que a escritora vai apresentando o mundo na colina de Mel Tump, onde todos tem dons especiais e são contrapartes de alguém no mundo das fadas.  Mas essa leveza, essa naturalidade é uma marca registrada da Diana wynne Jones, que já me cativou desde a leitura de "Os Mundos de Crestomanci", já indicado pela Josy aqui do Barato.

A Diana entrou para a minha coleção de paixonite por pessoas mortas. E sinto que, sem ela, o mundo da fantasia ficou um pouquinho menos brilhante.

Demorei um pouco para entender que o livro tinha terminado, sabe? Todas as respostas estavam ali, mas queria passar mais tempo com as pessoas estranhas do vilarejo e shipando Andrew e Stache, uma moça incrível, daquelas que, além de inteligentes, batem primeiro e perguntam depois. E também queria ficar mais um pouco descobrindo com Aidan como é quando a gente encontra o nosso lugar no mundo. 

Mas aí a história acaba e só me resta terminar essa resenha, dizendo que, para quem gosta de histórias de fantasia suaves e com cenário inglês, essa é uma ótima leitura!

Até a próxima folks!


Um tom mais escuro de magia

em 18 de dezembro de 2017

Autor: V. E. Schwab
Gênero: Fantasia, Ficção
Páginas: 420
Editora:  Record

Kell é um antari, uma raça com afinidade com a magia e que pode viajar entre mundos. Embora seja uma raça quase extinta, Kell por conta disso mora com a realeza e também serve como emissário entre os tronos de todas as Londres.
Sim, existe mais de uma Londres. Cada um dos quatro mundos possui uma versão da cidade embora tudo o mais seja diferente.

Os quatro mundos eram um só, até que a Londres Preta foi corrompida pela magia de tal forma que só restou as outras cidades se separarem e selarem este mundo para que nunca mais fosse aberto.

Então Kell, pode passear apenas por três mundos: Londres cinza que é similar ao nosso mundo e sem magia, a Londres Branca em que a magia e forte e se luta pelo poder disso e a Londres Vermelha, em que a magia e o mundo estão em total harmonia.

Tudo corre bem, até que Kell é "enrolado" na Londres Branca e acaba que para sair desta situação ele vai precisar de ajuda. E ele a encontra na jovem Lila.

Lila é uma protagonista forte, ela é uma jovem ladra da Londres Cinza que não hesita em matar para se defender se for necessário. Embora seja muito pobre, a moça sonha em ser livre e viajar por outros lugares e viver grandes aventuras.

Ela esbarra em Kell, justamente quando tenta roubá-lo e acaba por ser totalmente envolvida pela trama de magias e mundos.

O livro é bem interessante e a autora consegue manter nossa atenção do começo ao fim. A série possui outros livros e o segundo volume já foi publicado pela Record.

Embora tenha uma frase que compare o universo com as histórias de Diana Wynne Jones, não achei que fosse semelhante. A única coisa em comum é que ambas mostram personagens que viajam entre os mundos. No caso dos livros de Diana é uma referência direta ao universos da série Crestomanci. Mas o fato, é que em nada se assemelham. 

Dito isso, é um bom livro para passar o tempo mas, não me empolgou ou marcou de forma surpreendente ou viciante.


Sinopse:

Entre em um universo de aventuras audaciosas, poder eletrizante e Londres múltiplas.
Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela.
Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto.
Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade.
Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.

Magnus Chase e os Deuses de Asgard - O Navio dos Mortos

em 28 de outubro de 2017

Autor: Rick Riordan

Gênero: Ficção, Aventura
Páginas: 368
Editora: Intrínseca (trecho em pdf do livro)

Último volume da trilogia, após os acontecimentos de O Martelo de Thor, Magnus se vê em uma corrida contra o tempo para impedir o Ragnarok, não é o filme da Marvel o fim do mundo nórdico.

Evento que será desencadeado quando Loki zarpar com seu navio feio de unhas de gente morta argh!. Embora este seja um problema catastrófico, nenhum dos deuses resolve ajudar, deixando que os adolescentes sem nenhuma habilidade tomem conta da situação.
De certa forma, isso é justificado por que cada Deus tem um papel no Ragnarok. Então eles alegam que  não podem interferir diretamente.
Sendo assim, Frey tenta ajudar o filho enviando um navio supeerrr discreto para que o grupo faça sua viagem rumo ao confronto com Loki.
Rick Riordan ganhou muitos pontos comigo neste livro, o que me incomodou nos volumes anteriores ele solucionou. Dando ênfase nos personagens e aprofundando o universo de cada um, falando de seus passados e como chegaram ao Vahalla. Isso era um detalhe vital que faz com que nós apaixonemos pelo grupo lamentemos o fim da série. Já que justo agora que gostamos de todos, ele resolveu encerrar a trilogia. 
A PARTIR DAQUI TEM UM GRANDE SPOILER!!! 


Durante a jornada no navio, também somos surpreendidos com o fato que o duelo com Loki ao final não é uma luta corporal como na maioria dos livros, mas sim um duelo de palavras. Segundo a própria mitologia, Loki teria confrontado e humilhado os deuses em uma ocasião através deste mesmo duelo de palavras que agora Magnus tão eloquente quanto uma laranja, terá que protagonizar.
Adorei a forma como a situação é narrada, e como Magnus age no confronto. Ele mostra que não precisamos nós rebaixar ao nível do inimigo em uma discussão.
O romance também é estabelecido como o esperado com a personagem de Alex de Fierro, e funciona muito bem. 
O navio dos mortos, não apenas preencheu lacunas como satisfaz em toda a narrativa. Recomendo a trilogia toda e rezo para que o autor mude de ideia e escreva mais. Por que o resultado final ficou ótimo. 

Sinopse: O destino dos mundos está de novo nas mãos de Magnus Chase. Será que ele vai conseguir derrotar Loki de uma vez por todas?
Nos dois primeiros livros da série, Magnus Chase, o herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain, ex-morador de rua e atual guerreiro imortal de Odin, precisou sair em algumas jornadas árduas e desafiar monstros, gigantes e deuses nórdicos para impedir que os nove mundos fossem destruídos no Ragnarök, o fim do mundo viking. Em O navio dos mortos, Loki está livre da sua prisão e preparando Naglfar, o navio dos mortos, para invadir Asgard e lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses.
Desta vez, Magnus, Sam, Alex, Blitzen, Hearthstone e seus amigos do Hotel Valhala vão precisar cruzar os oceanos de Midgard, Jötunheim e Niflheim em uma corrida desesperada para alcançar Naglfar antes de o navio zarpar no solstício de verão, enfrentando no caminho deuses do mar raivosos e hipsters, gigantes irritados e dragões malignos cuspidores de fogo. Para derrotar Loki, o grupo precisa recuperar o hidromel de Kvásir, uma bebida mágica que dá a quem bebe o dom da poesia, e vencer o deus em uma competição de insultos. Mas o maior desafio de Magnus será enfrentar as próprias inseguranças: será que ele vai conseguir derrotar o deus da trapaça em seu próprio jogo?


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