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Quadrinhos da minha estante #02

em 29 de junho de 2016

Autor: Estevão Ribeiro – Texto / Lucas Marques - desenho
Páginas: 32
Editora: Aquario Editorial

Série: Famintas


Famintas é uma HQ vampírica lançada pela Aquario Editorial em 2014, acho. Peguei o meu exemplar no estande da editora lá na Bienal do Rio, ano passado. Quando  cheguei de viagem, deixei os espólios da bienal numa pilha, junto com as centenas de livros que estão na prateleira dos um “um dia eu leio.”

E há algumas semanas, procurando uma coisa rápida para ler e leve de carregar na mochila, bati o olho naquela capinha roxa, com uma vampirona sorrindo. “Okay belezurinha, é você mesmo que vai passear comigo hoje.” Pensei.

Famintas apresenta cinco vampiras sedutoras, que trabalham num Bar burlesco. Não ficou claro se o lugar pertencia às moçoilas sobrenaturais, mas imagino que sim. Cada uma tem um passado de marcas fortes, traduzido em suas personalidades.

A surpresa da vez ficou por conta do ex- seminarista  Antônio Salvador, um tipo de caçador de relíquias anti vampíricas e anti qualquer coisa sobrenatural que possa curá-lo. A motivação de Salvador vai acabar tornando-o uma espécie de mascote das vampiras burlescas.

Também são apresentados os Anjos de Barro, criaturas sobrenaturais criadas por um artista aleijado. Qualquer semelhança com Aleijadinho, aquele cara das esculturas barrocas, não é mera coincidência. Pelo o que parece, esses anjos existem para caçar vampiros, por tanto, esqueça daquela imagem maneira de anjos fofinhos preocupados com o bem estar da humanidade. Esses aqui estão mais para monstros bestiais e obsessivos.

Curti bastante ler um quadrinho em que só para variar as personagens femininas mandam ver e são super autênticas. Ponto positivo também para as tiradas de humor com o personagem de Salvador, hehehe.

Vou ficando por aqui, até a próxima folks!

Tomai e Bebei

em 10 de fevereiro de 2016


Autor: Max Mallmann
Gênero: Ficção, Romance histórico
Páginas: 52
Editora: Aquário Editorial

Tomai e Bebei é um conto sobre um padre de pouca fé. Um padre que conta sua história por ele mesmo.

Numa noite de chuva apocalíptica, o padre meio bêbado, meio dormindo, meio acordado, meio cínico, meio tudo (o personagem deixa claro que nunca conseguiu ser inteiro em nada na vida) recebe a visita do Bispo de Alcantis e de seu aterrorizante criado: um anão mal encarado e mudo. E então, o lugar miúdo que é cenário do conto, começa a ferver.

Assassinatos misteriosos deixam a pacata população da aldeia em polvorosa, e o protagonista — O Padre — se vê diante de um desafio para sua fé, que não é assim, uma montanha muito firme. Detalhe: Em momento algum o nome do pároco é mencionado.


Ilustração de abertura do livreto.
O texto é simples e temos acesso à mente irônica do protagonista, ao mesmo tempo em que enxergamos muito bem como ele vê os outros personagens.

Tomai e Bebei é uma leitura que não falta nem sobra: não temos detalhes demais, nem de menos. O que precisa ser descrito é feito sem frescura e mesmo assim, consegue ser imersivo na medida em que o livreto se permite: é um ótimo passa tempo e dá para ser lido numa tomada só.

Gosto de ler coisas que me fazem pensar: poxa, ainda bem que trouxe isso comigo! E sem dúvidas, Tomai e Bebei me fez pensar assim, além de me entreter com outros detalhes: a diagramação que mantém “As irregularidades tipográficas do relato original” e as ilustrações.


De fato, achei esse penny dreadful nacional um mimo, daquelas coisas que dá vontade de colecionar e ler para os amigos num sarau improvisado. Sei lá, acho que o espírito boêmio do Padre Sem Nome me contaminou um pouco, hehehe.


Estevão é super gente boa e foi muito bacana poder bater um papo com ele. :D
Em minha ignorância literária, sempre achei que Penny Dreadful fosse só o nome de um seriado. Só que não. Aprendi o que era esse tipo de publicação quando visitei o estande da Aquário Editorial na bienal do Rio, ano passado.

Com toda a paciência do mundo, Estevão Ribeiro, o ilustrador de Tomai e Bebei, me explicou a origem desse nome: penny dreadfuls eram publicações de ficção e terror que costumavam ser vendidas por um centavo (um penny) na Inglaterra entre o fim do século 18 e início do século 19. Por serem publicações feitas em material barato e custarem apenas umas moedinhas, ficaram conhecidas como "centavos do terror" (claro que para formular esse post de um jeito decente eu dei uma pesquisada na internetez - o que não muda o fato do Estevão ter me dado uma aula super prática de história XD ).

Os penny dreadfuls, costumavam ter uma diagramação de traços próprios: às vezes os tipos (as letras) saiam do lugar na prensa, causando pequenos defeitos na impressão. E em Tomai e Bebei, publicado em pleno século XXI, esses mesmos defeitos foram inseridos no projeto experimental como um recurso gráfico, para definir a identidade de um penny dreadful atual.

Enfim, depois de tudo isso, só posso dizer uma coisa: Leitura recomendada!


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