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Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados

em 3 de março de 2020


Autor: Ana Cristina Rodrigues
Editora: Legendari
Gênero: Ficção cientifica/ Fantasia
Páginas: 256

Depois de ler Anacrônicas e Fábulas Ferais, FI-NAL-MEN-TE  pude ler o Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados da Ana Cristina Rodrigues. É um livro que eu estava esperando há um bom tempo e fui buscá-lo na Bienal do Rio 2019 direto com a escritora, de quem sou fã.

Uma mulher sem memória acorda no deserto. Ao seu lado, há um livro que leva seu nome: Clio. Ela não caminha muito até encontrar Íbis, um homem-morcego em busca de redenção, e uma estátua animada de metal, o Rei-Máquina fugitivo da cidade de lata e louco. Ah, Clio também encontra um cavalo misterioso e juntos, o quarteto improvável parte sem rumo pelo deserto, em busca de respostas para perguntas que eles vão formular pelo caminho.


Eu poderia dizer que a narrativa de Atlas é onírica. Cada capítulo tem um misto de sonho, de memória perdida e reencontrada. E ao longo desses capítulos, cuja história se passa durante três dias, vamos conhecendo os caminhos que levaram cada um dos protagonistas ao Deserto Sem Nome.

Os personagens, ricos e complexos, são o resultado de si mesmos: Clio é forte, impetuosa e inconsequente. Ela não mede esforços quando se trata de defender seus ideais e o que acha certo. Nascida em Biblos, a cidade-biblioteca, Clio também é uma exilada, expulsa de sua própria cidade por causa de suas intenções revolucionárias.

Íbis é um homem-morcego. Ele carrega uma grande mágoa em seu peito, e revive suas dores infinitamente dia após dia. Íbis é competente, ágil e sensível. Não se engane com a carapaça selvagem e mau humorada que ele aprendeu a usar por ser um general, por ter nascido e crescido em meio a guerra entre as feras e os humanos, por ser responsável por tantas vidas e por ter perdido a que ele considerava mais importante entre elas. Sim, Íbis cometeu muitos erros, mas, afinal, ele é um homem. Ainda que morcego.

Já o Rei-máquina é um autômato. A grosso modo, seria um robô humanoide. Eu chamaria de androide. No entanto, ele adquiriu consciência própria, provou do sabor perigoso que é arquitetar uma grade mudança e foi punido com a loucura. Ele já não sabe quem é, mas nada que um passeio no deserto na beirada do fim do mundo não refresque sua memória.

Ah... tem também o Viajante. Ele é um personagem curinga, uma pecinha que parece solta, mas só parece. E não me atrevo a falar mais do que isso sobre ele.

A leitura de Atlas Ageográfico é como saltar e mergulhar o tempo todo. Saltamos de um personagem para o outro e mergulhamos em cada um deles, para no fim, encontrar o fio que une a todos. Saltamos e mergulhamos em cidades, cenários e aventuras. E de escrever essa resenha, sinto vontade de reler o livro que, pasmem, acabei de ler!

O Atlas é hipnótico e imersivo. A Ana usa elementos oníricos e os entrelaça a elementos de sci-fi e o resultado não poderia ser outro se não um incrível mosaico em que cada pecinha é importante para se construir a paisagem, e, por consequência, a história de um lugar que mesmo imaginado, possui suas próprias regras.

Livro super indicado para quem adora uma leitura com pegada experimental, ficção cientifica e fantasia, assim, tudo junto e misturado.

Vou ficando por aqui e... até a próxima folks!

Fábulas Ferais

em 17 de janeiro de 2018

Autora:Ana Cristina Rodrigues
Gênero:Fantasia e ficção
Editora:Letra Impressa
Páginas:88

Primeira leitura do ano já deixou na mente um misto de “quero saber mais” com “por favor deixa eu voltar”.

Fábulas Ferais é composto por contos que vão desenhando a origem de Shangri-la, Um lugar mágico, onde muitas espécies de povos encantados aprenderam a coexistir, e principalmente, aprenderam a se proteger.

O poder de síntese da narrativa de Ana Cristina rodrigues é uma das coisas que mais intensificam a imersão em Shangri-lá: entregar um mundo inteiro sem se perder em detalhes desinteressantes.

 E qual a melhor maneira de conhecer um lugar, se não através de seus habitantes? Em cada conto, temos um ser diferente, vendo cada passagem e paisagem. Um olhar, uma personalidade, uma aventura. Chega a ser catártico: acordar quimera, dormir lontra, aprender a voar, lutar para não derramar mais sangue. E derramar sangue para não ter mais que lutar. Parece confuso e só mesmo lendo Fábulas para entender. Leitura que aliás, dá para ser feita de um respiro só.

Fábulas Ferais possui fauna e floras únicas, ficcionais e delirantes. Me senti em casa: em parte porque deliro com frequência e em parte porque no meu coração de leitora, me encontrei em mais um universo. E a gente sabe, que, se o universo é incrível, a gente simplesmente não quer sair de lá. Cada vez mais encantada por Íbis, o homem-morcego (e não estamos falando do Batman), por Maya e por Lars. Ah, e por um certo senhor Lontrinha que é a coisa mais fofa que já vi.

Como se não bastasse o conteúdo, a edição física é um charme: feito à mão. Sério mesmo. Capa dura, papel amarelinho e apenas 300 exemplares. Numa época em que tantos lançamentos são tão lindos e cheios de paranauês gráficos que chegam a doer nos olhos, Fábulas Ferais surpreende pela simplicidade de sua produção artesanal. É daquelas coisas que a gente quer colecionar, que é gostoso de tocar.

Quando a Ana anunciou o lançamento de Fábulas para a bienal do rio em 2017, eu sabia que tinha que ir lá, agarrar o meu e nunca mais deixá-lo ir. Meu faro de leitora mais uma vez se provou certo: Fábulas Ferais abriu minhas leituras de 2018 me levando a desejar com todas as forças que o Atlas Ageográfico de Lugares Imaginários saia logo. Mas isso é outra história, né? Né.

Leitura mais do que super recomendada, para quem gosta de fantasia, descobrir novos mundos, novas maneiras de encarar ficção e para quem está afim de uma leitura rápida e de ter um exemplar lindão na estante, e bom, indico também para qualquer pessoa que goste de ler. Simples assim!

Até a próxima folks!

Anacrônicas - contos mágicos & trágicos

em 16 de dezembro de 2015

Autor: Ana Cristina Rodrigues
Gênero: Contos de fantasia
Páginas: 204
Editora: Aquário

Conheci a Ana Cristina Rodrigues na Fest Comix 2015 desse ano, mas só fui mesmo conferir o seu trabalho na bienal do Rio, em setembro. Fiquei encantada com o currículo da moça: escritora, tradutora, editora e historiadora.

Entre os mimos que trouxe do estande da Aquário Editorial para casa, — espero resenhar todos em breve — estava a coletânea “Anacrônicas – Contos mágicos e trágicos”. E é desse livro com formato de bolso que quero falar hoje.

Tive de optar em falar — ou melhor, tentar falar —  do livro como um todo, não focando em nenhum conto específico, afinal são 24 contos! Eu levaria dois quilômetros de post até falar de cada um deles, afinal essa coletânea é um compilado de produções da escritora entre 2009 e 2014.

No começo da leitura me senti um pouco intrigada. Apesar de bons contos, eu senti falta de uma unidade, de uma continuidade. Cheguei mesmo a achar que a leitura não renderia muita coisa. Depois do quarto conto eu entendi essa tristeza miúda que começava a tomar conta de mim: Eu queria mais. Não queria só aqueles pedacinhos de mundo. Queria todos os universos que a Ana — hábil em ser sucinta — mostrava só uma parte.


Admito que passei uma boa semana em sua companhia, voando com grifos, viajando em condados medievais, incendiando cidades bibliotecas, conhecendo o povo-macaco e voando com fadas que se transformam em dragões. A e também tinham os coelhos. 4 coelhos. Inclusive, com um deles acompanhei um onírico desmemoriado no roubo de sonhos.

Com Anacrônicas, inventei uma nova forma de ler livros de contos: abria a página do sumário e deixava o dedo correr solto. Até que eu acha que estava bom e abria os olhos. Onde a ponta do meu dedo estivesse, lá eu faria minha nova leitura. E assim foi até terminar o último conto. Só agora me ocorre que outras pessoas devem fazer isso, né? Mas comigo essa foi a primeira vez, então achei válido dividir. Hehehe

O projeto gráfico do livro é uma delicinha que intriga: tem coelhos na capa, me remetendo ao mundo eternizado por Lewis Carroll em Alice. O livro é em formato pequeno, facilitando tanto caber na bolsa, quanto o manuseio em minhas incursões literárias. Acho que já contei mil vezes que leio no trajeto casa-trabalho-trabalho-casa, né?

A, ia esquecendo, tem ilustrações espalhadas entre as páginas, e quando menos esperamos, escolhemos não adiar a leitura do próximo conto só para ver o que significa aquilo! Talvez isso se deva à minha curiosidade. Talvez não.

Mais uma produção nacional para quem curte leituras rápidas e não dispensa a possibilidade de passear em multiversos literários! ;)

Aqui o vídeo que gravamos dela falando um pouquinho sobre o livro:




Até a próxima folks!


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