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Maratona: O Melhor do Crime Nacional Dia #01

em 2 de agosto de 2019


Ep. 01: Ópera, uma Pétala de Flor




“Temos a arte para não morrer da verdade.”
Friedrich Nietzsche

Cada dia o interesse por histórias de crime, investigação policial, mistérios e serrial killers, aumenta entre os brasileiros, e podemos imaginar os motivos para nosso recente apego por esse gênero, afinal, a arte é respiro e também espelho de nosso tempo e do que mais vemos em nosso cotidiano. Mas não são apenas as séries e filmes que caíram na nossa graça, a literatura segue cada vez mais venturosa, somando apaixonados por um belo cenário Noir.

Então, não é atoa que a proposta da antologia O Melhor do Crime Nacional, organizada por Tito Prates e o Vitto Graziano (editor da Luva) recebeu mais de 100 contos, tornando árdua e muito prazerosa a tarefa de escolher 15 histórias para formar o time junto ao organizador Tito e aos convidados Wellington Budim e Paula Bajer.

Agora, o projeto encontra-se no Catarse, para que além de um livro incrível, os leitores também recebam mimos que vão de um caderno com couro sintético (com porta esferográfica e 80 folhas pautadas no formato A6), bolachas de chopp bem sanguinárias e até um postal fofo e brincalhão, com inspiração na máfia italiana.

No projeto gráfico, além de uma ficha de escritores digna de uma investigação policial, o livro contará com desenhos para cada conto ao estilo "sin city", onde a ilustradora foi buscar inspiração.

Nós já falamos um pouco desse projeto no post "5 livros para apoiar até setembro!" , e agora temos a honra de participar da maratona de posts com conteúdo exclusivo para os blogs parceiros! A ideia é mergulhar fundo na proposta de " O Melhor do Crime Nacional". 

E para começar, com vocês, o primeiro relato sobre um crime cometido, digo, escrito, onde o escritor Humberto Faria Lima, nos coloca por dentro do processo de escrita de seu conto Ópera  - Uma Pétala de Orquídea:

“Quando falamos de contos, a primeira coisa a surgir é uma ideia e ideias são coisas poderosas.

Você sabe que uma ideia é boa quando algo dentro do seu íntimo vibra e você se pega pensando incessantemente nessa ideia. Logo surgem de maneira desconexa (pelo menos no meu caso), detalhes da história que vão se encaixando até fazer sentido.
Para mim, esses detalhes surgem como cenas de um filme. Literalmente eu vejo tudo que escrevo por mais horrível que seja.
Mas vai além disso.

Não é só a narração crua de algo observado.  Existe todo um trabalho de pesquisa para dar profundidade ao personagem, local e tempo histórico onde ele está inserido.
Meu conto se passa na São Paulo da década de 30, no contexto da República do Café com Leite, então li os principais fatos  que aconteceram no período para compor a história.  Tipos de roupas, veículos, bebidas, cigarros, a maneira como a mulher era tratada, tudo isso entra para enriquecer o conto.

Outra coisa que gosto muito em meus contos é de causar um clímax, onde pretendo   surpreender as pessoas pelo inusitado ou horrível.
Escrever é dançar com as palavras e usar o termo certo no lugar certo de maneira a hipnotizar o leitor, é um jogo de equilíbrio delicado, um xadrez onde você sabe suas peças, mas não conhece as do outro lado.
Escrever é libertador e todo autor quer ser lido."

Trecho do Conto – Ópera, uma Pétala de Orquídea


- Eu não acho adequado uma mulher fazer o tipo de trabalho que deve ser de um homem.
O coronel tirou um maço de cigarros feitos a mão e puxou um, acendendo-o com uma pederneira de prata. Olhou a matrona bem no fundo dos olhos antes de responder.
- Dona Maria Augustina de Cavalcanti, Magdalena é um detetive de capacidades impressionantes. Ela tem um tipo de memória que poucos possuem, grava cada detalhe do que foi visto, chegando a conclusões impressionantes!
Dito isso, ele chamou a moça de cabelo loiro bem cuidado.
- Por favor detetive! Faça uma análise do casal Cavalcanti!
A jovem olhou para os dois por alguns segundos e se voltou para o chefe com um olhar carregado de desespero.
- Posso transmitir minhas impressões apenas ao senhor, coronel Alvares?
Ele foi categórico.
- Não! Fale para que todos ouçam.


Gostou? Para apoiar o projeto no catarse e garantir que esse livro ganhe vida acesse:https://www.catarse.me/crimenacional

Para saber mais sobre o autor, acesse: https://web.facebook.com/humberto.fariadelima

Vou ficando por aqui, e...
Até a próxima, folks!

Nihill

em 7 de agosto de 2018

Autor: Carolina Mancini
Gênero: Ficção, terror psicológico
Páginas: 156
Editora: Estronho


Nihil é um conceito. Uma passagem. Fragmentos de humanos desumanos. Viu só? Nihil mexe com a cabeça da gente, e antes que eu continue brisando, melhor começar essa resenha.

Já escrevi aqui no blog, sobre as minhas primeiras impressões sobre esse livro. Naquela época eu tive acesso à degustação da obra, e hoje volto  para contar como foi ler Nihil inteirinho, de ponta a ponta. Como foi essa coisa de "sobreviver à névoa."

Em Nihil, uma névoa tóxica se espalhou pelas grandes metrópoles (embora pareça que está no mundo inteiro, mas não dá para ter certeza). As pessoas tiveram que se trancar em suas casas, estocar comida e vedar muito bem as portas e janelas. Quem se arriscasse na névoa poderia perder partes do corpo ou, na melhor das hipóteses, morrer bem rápido.


Então, aos poucos, a energia elétrica acabou. E a água. E as pessoas tiveram que aprender a continuar vivas consigo mesmas e muitas delas, para não enlouquecerem, escrevem cartas. A história vai sendo contada por diversos personagens. Cada um tem um capítulo para si. É quase como se cada capítulo fosse um conto. E todos em primeira pessoa.

Viajar nas diversas psiques de Nihil vai nos afastando da pergunta inicial: de onde veio essa névoa? E a gente constata que a causa já não é tão importante. O que vale é como faremos para continuar vivos. Ou melhor, o que vale, é descobrir se queremos continuar vivos.

Uma das coisas que achei extremamente interessante na linguagem que a escritora usou, é que, cada "conto" é quase como um "ato". Uma cena de teatro. Os diálogos são incríveis: inteligentes, intrigantes e persuasivos. Aliás, tem capítulos inteiros só com diálogos.

Entre as várias passagens que passeiam entre o onírico e o mórbido, um dos meus trechos favoritos é o relato de uma senhora que se isolou da névoa com seus quatro netos... é uma coisa insólita, e eu fiquei uns minutinhos olhando para o nada, tentando entender o que tinha lido.

A construção de Nihil é fragmentada: cartas, diálogos, poesias e ilustrações. E muitas reflexões. Um Prato cheio e fundo para quem adora  uma obra que consegue trilhar um caminho com várias pernas diferentes e ainda assim chegar lá. O tom da narrativa me lembrou muito Sinal e Ruído. Ou, o caos que ficou na minha cabeça, foi quase o mesmo que a HQ do Neil Gaiman me deixou.

O livro é super fininho e dá para ler de uma tacada só. Mas eu não fiz isso. Li o mais vagarosamente que pude. Nihil tem uma loucura que vicia e eu quis estender essa experiência ao máximo. Em parte porque eu sou extremamente impressionável e medrosa e em parte porque a escrita da Carol é para ser absorvida aos poucos, como doses homeopáticas de pensamentos aleatórios.

Foto que peguei no instagram da  autora.
Ah, o projeto gráfico tá lindo! O que é aquela parte interna da contracapa! To apaixonada nesse livro!

Leitura super recomendada para quem curte leituras catárticas, terror psicológico e suspense.

Estou super curiosa para conhecer Dias de Chuva, da mesma autora!

Vou ficando por aqui e até a próxima, folks!







NIHIL

em 25 de abril de 2018

Ou As primeiras impressões da Névoa




























Uma névoa tóxica invadiu a cidade. As pessoas foram obrigadas a estocar comida e a se encarcerarem em suas casas. Não há água encanada ou energia elétrica. Nem internet. Quem esteve perdido na névoa, não voltou para contar como as coisas estavam lá fora. E mesmo nos raros casos de quem conseguiu retornar, foi impossível voltar inteiro: faltaram os braços ou as pernas. Ou a alma.

Crianças e bebês morreram. Animais de estimação desapareceram. Há apenas silêncio, dúvida, solidão, loucura e desespero. Isso é Nihil.
A história é contada através de várias histórias: cada um conta sua versão de como está sendo enfrentar a névoa. Vários personagens. Várias primeiras pessoas. Alguns escrevem cartas. Outros falam sozinhos. E aqueles que tiveram alguma sorte, conversam com alguém de verdade, junto de si.

Ufa! Pensei que seria difícil falar sobre as primeiras impressões desse livro que recebi os primeiros nove capítulos. Mas não foi, porque às vezes o que nos impacta, nos obriga a falar.

Quem segue o @baratoliterario no instagram, já me viu falando lá no stories, que  Nihil é catártico: a gente vai sendo levado por um e outro relato. E quando percebemos, já estamos na névoa. Queremos descortiná-la. Saber de onde veio, e para onde nos levará e se, de alguma maneira, permaneceremos vivos.

Entre terror psicológico, suspense e poesia, Nihil nos tranca em um quarto escuro e nos obriga a enfrentar nossos piores devaneios. Perceba que eu disse Devaneios: eles podem ser muito mais letais do que nossos medos. Você vai se perguntar o sentido de muita coisa. E nenhuma delas terá mais sentido algum, pelo simples fato de que todos os outros, assim como você, estarão trancados, aguardando pelo milagre de estar morto.

Agora que começo a por a cabeça para funcionar, e que realmente estou pensando a respeito do que li e não apenas sentindo,  a trama de Nihil me lembra  o clima de Silent Hill - Shattered Memories (jogo de 2010), em que vamos descobrindo a história através do olhos de Harry Mason ou, ainda nesse raciocínio, a trama do livro também me remeteu ao enredo do filme " O Nevoeiro" de 2007, baseado no conto do Stephen King.

O mais interessante é que, embora a leitura tenha me remetido a essas obras, Nihil tem vida própria, seu próprio universo, seu contexto e linguagem.  Ou seja,  com essas referências mentais, é obvio que Nihil está mais do que indicado. Está indicadíssimo!

Agora só me resta aguardar que o material integral seja publicado e que eu possa terminar essa leitura que promete. E não é pouco!

A pulga mordeu a sua orelha e quer conferir Nihil com seus próprios olhos? 
Clique aqui e baixe a amostra dos primeiros 9 capítulos!


  Sobre a autora Carol Mancini  onononnononononononnohohohohohoo

Carolina adotou o sobrenome Mancini em homenagem à avó com quem passava grande parte de seus dias durante a infância. Formada em teatro, é professora de artes na rede municipal de São Paulo.

Participou por três anos com textos e ilustrações quinzenais para o site Quotidianos e escreveu a história juvenil O Mirante do Tempo, para o folhetim do Jornal de Brusque.


Publicou seu primeiro romance de fantasia “Dias de Chuva” em 2016, pela Editora Estronho, além de ter participado de antologias de fantasia, terror e poesia. De maneira despretensiosa, atualiza contos em seu perfil do Wattpad e vídeos no Youtube, e este ano (2018) retorna para o terror com o lançamento de Nihil, também pela Editora Estronho.

Para conhecer mais sobre o trabalho dela, basta acessar o blog, a página no Facebook ou segui-la no Instagram.

Até a próxima, folks!




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