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A Caçadora - Sorriso de Vampiro

em 7 de julho de 2020

Autor: Vivianne Fair
Gênero: Fantasia / Infanto juvenil
Páginas: 196
Série: A Caçadora , vol. 1
Editora: Draco


Em A caçadora - Sorriso de Vampiro, temos a protagonista Jessica Cross, que aos vinte nove anos, descobre que seus pais são caçadores de vampiros e que chegou a vez dela de levar o legado da família adiante.

E daí que, em vinte e nove anos a Jessica nunca suspeitou das viagens inesperadas de seus pais? E daí que as profissões deles não justificavam essas viagens (a mãe era professora e o pai, dentista. Técnicamente.)?  Ela nunca tinha parado para pensar nisso...

Então, um dia, ao voltar do trabalho (chatíssimo de secretária de contador. Paralavras da protagonista), Jessica é surpreendida por seus pais, com a história absurda de que ela foi recrutada por um tal de Conselho, para trabalhar como caça-vampiros. E que eles próprios (os pais da Jessica) eram caça-vampiros de elite.

Passado o susto, e depois de ter visto o tamanho do pagamento que receberia ao dar cabo de seu primeiro vampiro (partindo do pressuposto que os pais dela não eram loucos e não tinham tirado aquele cheque do nada, nem inventado o Conselho, etc, etc), Jessica parte em sua primeira missão: se disfarçar de universitária para caçar um vampiro chamado Eric, que está fazendo vítimas na Universidade da Pensilvânia.

Ao chegar lá, Jessica não encontra nenhum Eric. Ela encontra com Zack, um vampigato no auge dos seus oitocentos aninhos. Acontece que... Jess tem uma quedinha por caras bonitos. E sim, é claro que ela se apaixona pelo vapirão, que, tecnicamente, ela devia, a-ham (cof-cof) matar. E é bem aqui o início das aventuras caóticas e mais engraçadas de qualquer caçadora de todos os tempos!

Ler os livros da série A Caçadora é um ótimo passa tempo e rende sempre ótimas risadas, seja pelas situações inusitadas, pelas enrascadas  absurdas ou decisões nada inteligentes dos personagens. Aliás, personagens carismáticos é algo que tem de sobra nessa série! Começando pela própria Jess que fala mais que a boca, é doidinha e dona de um bom coração.  Os seus amigos "otakus" são hilários e sempre acabam salvando o dia (igualzinho as Powerpuff girls) e Zack o vampigato com sua aura rebelde e misteriosa cai como uma luva na história toda.

A série é recheada de referências pops e é incrivel reconhecê-las ao longo da leitura. E... Bom, essa é a resenha do livro 1, mas já temos as resenhas dos volumes 2 e 3 também. Acontece que eu comecei a ler essa série pelo segundo livro, depois fui para o terceiro e só então li o primeiro. Uma bagunça, né? Né.

E essa salada toda serviu para ver que é possível entender tudo o que está rolando sem precisar ler os outros livros para nos situar (mas assim como eu, você vai acabar querendo ler todos, pode acreditar!). E esse mérito é todo da escritora, que consegue situar o leitor sem tornar as infirmações repetitivas, mesmo para quem está lendo a série na ordem cronológica certinha.

É com uma saudadezinha boa que me despeço de A Caçadora e sua turma, que me fizeram conhecer outros livros da Vivianne e me apaixonar, como O Legado do Dragão, Quem precisa de Heróis e Rainha Sombria, já resenhados por aqui (ou quase isso).

Vou ficando por aqui e...
Até a próxima!




Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados

em 3 de março de 2020


Autor: Ana Cristina Rodrigues
Editora: Legendari
Gênero: Ficção cientifica/ Fantasia
Páginas: 256

Depois de ler Anacrônicas e Fábulas Ferais, FI-NAL-MEN-TE  pude ler o Atlas Ageográfico de Lugares Imaginados da Ana Cristina Rodrigues. É um livro que eu estava esperando há um bom tempo e fui buscá-lo na Bienal do Rio 2019 direto com a escritora, de quem sou fã.

Uma mulher sem memória acorda no deserto. Ao seu lado, há um livro que leva seu nome: Clio. Ela não caminha muito até encontrar Íbis, um homem-morcego em busca de redenção, e uma estátua animada de metal, o Rei-Máquina fugitivo da cidade de lata e louco. Ah, Clio também encontra um cavalo misterioso e juntos, o quarteto improvável parte sem rumo pelo deserto, em busca de respostas para perguntas que eles vão formular pelo caminho.


Eu poderia dizer que a narrativa de Atlas é onírica. Cada capítulo tem um misto de sonho, de memória perdida e reencontrada. E ao longo desses capítulos, cuja história se passa durante três dias, vamos conhecendo os caminhos que levaram cada um dos protagonistas ao Deserto Sem Nome.

Os personagens, ricos e complexos, são o resultado de si mesmos: Clio é forte, impetuosa e inconsequente. Ela não mede esforços quando se trata de defender seus ideais e o que acha certo. Nascida em Biblos, a cidade-biblioteca, Clio também é uma exilada, expulsa de sua própria cidade por causa de suas intenções revolucionárias.

Íbis é um homem-morcego. Ele carrega uma grande mágoa em seu peito, e revive suas dores infinitamente dia após dia. Íbis é competente, ágil e sensível. Não se engane com a carapaça selvagem e mau humorada que ele aprendeu a usar por ser um general, por ter nascido e crescido em meio a guerra entre as feras e os humanos, por ser responsável por tantas vidas e por ter perdido a que ele considerava mais importante entre elas. Sim, Íbis cometeu muitos erros, mas, afinal, ele é um homem. Ainda que morcego.

Já o Rei-máquina é um autômato. A grosso modo, seria um robô humanoide. Eu chamaria de androide. No entanto, ele adquiriu consciência própria, provou do sabor perigoso que é arquitetar uma grade mudança e foi punido com a loucura. Ele já não sabe quem é, mas nada que um passeio no deserto na beirada do fim do mundo não refresque sua memória.

Ah... tem também o Viajante. Ele é um personagem curinga, uma pecinha que parece solta, mas só parece. E não me atrevo a falar mais do que isso sobre ele.

A leitura de Atlas Ageográfico é como saltar e mergulhar o tempo todo. Saltamos de um personagem para o outro e mergulhamos em cada um deles, para no fim, encontrar o fio que une a todos. Saltamos e mergulhamos em cidades, cenários e aventuras. E de escrever essa resenha, sinto vontade de reler o livro que, pasmem, acabei de ler!

O Atlas é hipnótico e imersivo. A Ana usa elementos oníricos e os entrelaça a elementos de sci-fi e o resultado não poderia ser outro se não um incrível mosaico em que cada pecinha é importante para se construir a paisagem, e, por consequência, a história de um lugar que mesmo imaginado, possui suas próprias regras.

Livro super indicado para quem adora uma leitura com pegada experimental, ficção cientifica e fantasia, assim, tudo junto e misturado.

Vou ficando por aqui e... até a próxima folks!

Fantásticas - Contos de Música & Fantasia protagonizados por Mulheres

em 23 de setembro de 2019

Autor: Vários autores
Organizadores: Giulia Moon e Walter Tierno
Editora: Giz Editorial
Gênero: Fantasia
Páginas: 128

Fantásticas - Contos de Música & Fantasia protagonizados por Mulheres, é o terceiro livro da Série Fantásticas,  coletânea de contos de fantasia que trazem mulheres como protagonistas, sempre explorando um novo desafio em cada volume.

No primeiro, os contos foram de "riso, aventura e medo". O segundo foi fantasia e gastronomia, em que os contos foram inspirados em comida ou bebida e traziam as receitas no final. Tanto eu, quanto a Josy aqui do barato, publicamos nos dois primeiros volumes de Fantásticas.  E então chegou o terceiro volume, com tema Música e Fantasia, em que cada conto foi inspirado em uma canção!

Fantásticas Música & Fantasia tem oito contos que passaram voando, eu mesma li o livro todo em uma tarde! Cada autor tem seu próprio ritmo, sua própria voz e assim fui passando de uma protagonista a outra com facilidade.

Sem contar que a leitura acompanhada da palylist criou toda uma atmosfera especial. Ainda hoje, se escuto Danse Macabre, o conto da cornucópia assombrada me vem à mente.

E falando um pouquinho de cada conto...

 " Cornucópia" de Hellen Sabo

A protagonista se chama Denysy e é uma universitária de antropologia muito dedicada. Tão dedicada que acabou se metendo num problemão junto com seu orientador. Falando assim, parece apenas mais um conto que se passa em um universidade, né? Mas não se engane. O conto vai crescendo, tomando forma, até que a gente chega no final torcendo para nunca ouvir a canção que a Hellen criou para essa história, com pitadas de horror e suspense, me prendeu do começo ao fim.

"A banshee rest calm" de Rainner Leehmann

Uma história de amor, tragédia e vingança, tudo ali, misturado e transbordando sentimento. Lily é uma Banshee apaixonada por uma sereia chamada Mel. Depois de um acontecimento terrível, Lily se vê caçando o culpado pela sua vida ter se tornado tão miserável. A cena da Banshee fazendo um show cover é dilacerante! O final do conto tem uma virada que me deixou com sabor amargo na boca.

"Superstição" de Amanda Jordão

Conta a história de Bruna, uma garota totalmente racional e também totalmente amaldiçoada com um azar que nem consigo mensurar. Um conto leve e descontraído que me tirou umas boas risadas com as cenas totalmente no sense em que a protagonista se mete com sua incrível falta de sorte.

"Livre estou" de Daniela Prado

Conta a história de uma garota que trânsita entre dois mundos e descobre que nem tudo é o que parece e que muitas vezes não podemos confiar nem mesmo em que diz nos amar... Um conto que apesar de estar na categoria "fofo" não deixa de ter sua dose de drama e aceitação.


"Os dragões da caixa de música" de Ellen Monteiro

Uma garota curiosa, apaixonada por fantasia e uma caixa de música que não deveria ter sido aberta. Essa é a premissa desse conto que também está na categoria iti-malia-que-coisa-fofa-eu-estou-vendo-aqui.  Eu sou apaixonada por dragões, né? Nem preciso dizer o quanto me diverti com essa história de seres míticos que realizam desejos ao contrário....


"Nossa Canção" de Cristina Vieira

Sabe aquela história que te pega de jeito, que vai te levando e quando você percebe já está tão envolvida que não queria que acabasse? A protagonista, Dona Luiza, é uma senhorinha que viveu tudo o que tinha para viver, mas ainda tem um segredo de amor muito especial. Uma história que celebra o amor e as boas lembranças. #soufãfacris

"Retrato de cosplay" de Vera Pereira

Luana é uma estudante de design que tem o hobby de fotografar a cidade e postar no seu blog. Um dia, ela fotografa um grupo peculiar de cosplays e depois disso passa a esbarrar frequentemente com uma das garotas mais misteriosas do grupo. Entre ajudar a mãe com o irmão mais novo e se dividir entre a faculdade e o estágio, Luana resolve descobrir quais o segredos da moça cosplay que ela sempre encontra no parque...  Um conto com ar de lenda urbana, com uma protagonista curiosa e decidida!

"A casa sem portas nem janelas" de Carol Heksai

E chegamos ao último conto desse livro, fechando a coletânea com chave de ouro.  Aqui, a protagonista Roberta é raptada por alguém que ela nunca viu na vida. Depois de emparedada e pronta para aceitar o fim, ela se vê numa trama difícil de assimilar. Até que a razão por tudo aquilo ter acontecido chega a tona com  uma pegada de terror psicológico, suspense e ficção cientifica. Nunca mais ouvirei a música Stein um stein da mesma maneira que ouvia antes.  Um dos meus contos favoritos desse Fantásticas!

"Fantásticas" é um projeto dos escritores Giulia Moon  (série Kaori) e Walter Tierno (Cira e o Velho e Anardeus), em que eles reúnem novos escritores nos cursos de escrita do Fome de Letras e chegam ao resultado maravilhoso que é essa coletânea.  O projeto gráfico está lindo mais uma vez e o ritmo entre os contos garante uma leitura gostosa e imersiva.

Uma coletânea de música e pede playlist, né? Dá para conferir as músicas que inspiraram os contos no Spotify. É só clicar aqui!

Vou ficando por aqui,
Até a próxima, folks!

Good Omens (Belas Maldições)

em 3 de setembro de 2019

Título: Good Omens - Belas Maldições
Editora: Bertrand
Autor: Neil Gaiman e Terry Pratchet
Gênero: Fantasia, comédia
Páginas: 364



A primeira vez que li Belas Maldições, o livro não se chamava assim, porque li em inglês, e numa tradução livre, Good Omens estaria mais para "bons presságios" do que para maldições, ainda que belas. Uma edição antiga, de bolso, daqueles que a gente compra em qualquer banca de jornal em Londres (embora a minha edição seja americana). 


Me diverti muito com as presepadas de Aziraphale e Anthony Crowley, tentando entender o tal do plano inefável do todo poderoso e ganhar mais um tempo aqui na terra.  Mas na época eu não quis resenhar, por motivos de: "Ah, não tem em português." Só que tinha. E a criatura aqui ignorava totalmente a existência de Belas Maldições.


Eis que, em Maio/2019, a Amazon Prime lançou a mini série de 6 episódios. E eu resolvi ler novamente antes de conferir a adaptação. Mas dessa vez, a versão traduzida, é claro. Afinal, dessa vez, eu sabia que Belas Maldições e Good Omens eram a mesma coisa. Ou quase isso.


E depois da introdução mais longa da história desse blog, eis, finalmente, a resenha!

Então, o mundo foi criado. Adão e Eva foram expulsos do paraíso e se tornaram os primeiros humanos a povoar a terra. E eles vieram junto. Você sabe, Aziraphale, o anjo e Crowley, o demônio, que mudou de nome com o passar do tempo. Originalmente ele se chamava Crawly, o rastejante, um demônio serpente.

Passaram-se os milhares de anos, as hecatombes bíblicas e as não registradas, as guerras e as revoluções,  e a dupla anjo e demônio vendo tudo acontecer, se afeiçoando cada vez mais à humanidade até quase esquecerem suas funções e origens. Eu disse quase.

Um dia, quando muito já bem estabelecidos, ali pela década de 90, Crowley recebe a ordem de entregar o anticristo ao mundo. Ele só precisava trocar os bebês numa maternidade de freiras satanistas (sim, você leu certo: freiras satanistas) e se certificar  de que o anticristo cresceria numa família influente, capaz de incitar a guerra. E dali a onze anos, quando o anticristo encontrasse com seu cão do inferno, o mundo finalmente encontraria o Armagedom. E então as hordas celestiais e infernais poderiam ter seu combate final. A guerra de todas as guerras.

As coisas não acontecem exatamente como deveriam acontecer, fazendo com que Crowley e Aziraphale se unam para evitar que o mundo acabe, rendendo cenas hilárias:

1 - A união/amizade deles não pode ser explícita, afinal eles tem que prestar contas aos seus devidos departamentos, e tecnicamente, anjos e demônios não se misturam;

2 - A amizade deles é a definição de confiar desconfiando: Aziraphale é um péssimo mentiroso e Crowley, apesar de ser demônio, às vezes acaba sendo crédulo demais.

Mas a história não se resume a essa dupla, existem outros fios que vão se desenrolando em paralelo, até que todos se unem no final.

Um desses fios é a trilha seguida por Anathema Device, uma bruxa descendente de Agnes Nutter, que escreveu "As Justas e Precisas Profecias de Agnes Nutter".  Anathema segue as previsões de sua ancestral e sabe que o mundo está para acabar. Já sabe até onde vai acontecer a coisa toda. Mas não faz ideia de quem é o anticristo e o que fazer para derrotá-lo e evitar o fim do mundo.

Temos também Newton Pulsifer, um rapaz descendente de antigos caçadores de bruxas e que acaba se envolvendo nessa coisa de fim do mundo só porque estava entediado. O Sargento Shadwell, líder do exército Caçador de bruxa, Madame Tracy, uma médium, vizinha  o sargento e por fim...

Temos o grupinho de arruaceiros da cidadezinha de Lower Tadfield, conhecidos como os "Eles": quatro crianças de onze anos, cujo lider é Adam Young, ninguém mais ninguém menos que o próprio filho do diabo, embora ele não faça ideia de sua origem.

Ah, e tem também os quatro cavaleiros do apocalipse e isso por si só, já é um show a parte, rendendo ótimas cenas nas apresentações de cada um.  Guerra, Fome, Peste e Morte, apesar de cavaleiros, estão mais para motoqueiros do apocalipse. E nessa história, Peste se aposentou e o cavaleiro Poluição assumiu o seu lugar.

Por mais estranho que pareça ser, todos os fios apresentados ao longo dos sete capítulos se unem naturalmente, fazendo a leitura fluir rápida e divertida.

Belas maldições é uma fantasia de comédia, com humor inteligente e perspicaz, provando mais um a vez porque Gaiman e Pratchett são leituras indispensáveis para quem adora o gênero de Fantasia. 


A inversão dos pontos de vista dos personagens ao longo da história e a brincadeira com os múltiplos significados das coisas, torna essa leitura única. Falar do fim do mundo, de anjos e demônios, de crianças e outros humanos com humor e sem se render ao maniqueísmo (divisão do mundo entre bem e mal) é simplesmente incrível. 

Leitura indicada para quem curte comédia, humor inteligente e uma boa fantasia fora do lugar comum.

Até a próxima, folks!

Alys - Elemento ômega

em 5 de março de 2019


Autor: Priscila Gonçalves
Gênero: Fantasia / Ficção
Editora: PenDragon
Páginas: 220

Alys Elemento ômega é o segundo livro da série de fantasia da escritora nacional Priscila Gonçalves.  A resenha do livro anterior "Alys - elemento Alpha" você encontra bem aqui. 

Elemento ômega é a continuação direta de Elemento Alpha, em que os acontecimentos finais deixam o leitor com o coração na mão.

No segundo volume, temos uma Alys que está amadurecendo rápido: não é como se ela tivesse a opção de deixar para depois a missão da qual depende toda a vida na terra.
No Livro anterior, Alys descobre fazer parte de um mundo bem diferente do que acreditava conhecer e cai sem paraquedas na missão de devolver a magia ao mundo, encarando o desafio Primeira Lua.

Depois desses acontecimentos, a humanidade pós-metal passa a sofrer mais transformações, sentindo o despertar da magia, instalando-se o pânico e o medo. Mas isso é só o começo: há uma Segunda Lua e um novo elemento para ser liberado no mundo é bem aqui onde se passa a história de Alys - Elemento Ômega.

Negociações políticas, missões diplomáticas, treinamentos, pesquisas e mais pesquisas. Essa é a nova rotina extenuante e enlouquecedora que Alys, uma garota que até bem pouco tempo só tinha que driblar o pai super protetor.

E como se isso não fosse pressão o suficiente, Alys ainda precisa lidar com as perdas que sofreu no livro um: não há tempo para aceitá-las, pois é preciso seguir em frente. Ainda assim...

Quem teria coragem de assumir suas fraquezas quando há tanto em risco? Em  Elemento ômega,  nós viajamos com Alys em sua busca para se tornar mais forte, ao mesmo tempo em que ela nunca se sentiu tão frágil na vida: há muitas incertezas. Alys não sabe o quê ou quem ela está se tornando com tantas transformações que já tinha passado e que ainda iria sofrer.  

Boa parte do livro se passa sem a presença do guardião Evan. E Alys tem que se virar de várias maneiras sozinha: enfrentar ataques, lidar com as mudanças constantes, os perigos iminentes, dominar seus dons mágicos e sobreviver aos treinamentos com Thela. O mundo que se abriu para a protagonista no volume anterior, continua se expandindo.

E por falar em expansão... Kyer (lembra dele? melhor amigo da Alys desde sempre) além de ter sido descoberto como a personificação do Grande Sábio, também assume uma nova função no Conselho e vai ter que lidar com responsabilidades cada vez mais sérias.

Uma das facetas que me surpreendeu nesse volume foi o aprofundamento na origem do vilão Zmora, que escorregou do livro um para o dois e está ficando cada vez mais forte. Ao descobrirmos a história dele, percebemos que, de um jeito ou outro, todos tem seus próprios motivos para tomarem as decisões que tomam.

E de pano de fundo, quase imperceptível,  temos duas forças aparentemente ancestrais (digo aparentemente pois ainda é uma hipótese, coisa que concluí com a leitura, embora a escritora não tenha deixado isso claro), movendo suas teias ao longo dos capítulos, nos oferecendo um suspense extra e deixando mais perguntas ao longo do caminho.

Elemento Ômega, tem 32 capítulos dinâmicos e precisos, narrados em primeira pessoa por Alys, uma protagonista bem humorada e cheia de vida, que me fez perceber que não importa o quão longe fomos, o quão cansados estamos. Se estamos de pé, é porque ainda aguentamos dar mais um passo, olhar mais uma vez para o céu e seguir em frente. Inspirador, não?

E por falar em inspirador... o novo projeto gráfico da série está lindo, com as capas internas coloridas!

Vou ficando por aqui e até a próxima folks!



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