Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens

Dica: Conversas com Paul Rand

em 30 de junho de 2020



Em uma linda edição da finada editora Cosac Naify, o título ilustra bem uma conversa com o Designer Paul Rand (1914-1996). Famoso por seus trabalhos no logo da IBM e diversas capas de vinil e soluções inovadores e minimalistas que transmitiam a essência da mensagem em apenas imagens.



São duas conversas relatadas no livro, no qual ele debate questionando e explicando alguns professores universitários de design e em outro fala com alunos em aula respondendo dúvidas. 

Também há depoimentos de outros designers famos que conviveram com ele como Wolfgand Weingart, Steff Geissbuher, Gordon Salchow e etc. 

Logos feitos por Paul Rand.
O escritor, Michael Kroegger organizou esse material dos diálogos para o livro que é pequeno e tem uma linda edição com cores vivas e uma diagramação maravilhosa. Infelizmente só é possível encontrar a edição em algumas livrarias, na estante virtual, bibliotecas especificas ou em ebooks online. 

Autora nacional Ana Lúcia Merege

em 7 de junho de 2019



O livro de hoje é da autora Ana Lúcia Merege, o 1° da trilogia fantástica, 'O Castelo das Águias', publicação da Editora Draco.
SINOPSE DO LIVRO

O 'Castelo das Águias', romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.

Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.

Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

SOBRE A AUTORA

A autora é bibliotecária da Biblioteca Nacional, localizada no Rio de Janeiro, e tem um blog que leva o nome de seu livro, onde publica notícias variadas, de eventos literários onde estará a contos do universo fantástico de 'Castelo das Águias'.


Esse foi o primeiro post da nossa parceria na Campanha #LivroBRnoCinema, só clicar aqui para saber mais sobre a parceria!

Conexão Magia

em 20 de março de 2018

Autor: Helena Gomes e Rosana Rios
Gênero: Fantasia / Aventura
Páginas: 430
Editora: Rocco
Selo: Novos Leitores


Eita nóis! É a expressão que me veio na cabeça várias vezes durante a leitura desse livro. Tem tanta coisa para falar de Conexão Magia que é necessário por as ideias em ordem antes de começar começando essa resenha!


Gael é um garoto de catorze anos, aparentemente levando uma vida comum e pacata com sua família adotiva que administra um bar nas imediações do metrô Tietê.

As coisas iam tranquilas, até que, durante uma excursão da escola, um cara marrento montado num cavalo, tenta matar Gael. E a partir daí, o garoto vai precisar de toda ajuda possível para se manter vivo e descobrir porque diabos todos dizem que ele nunca deveria ter nascido.

A história se passa em São Paulo, mas também em Salvador e Rio de Janeiro. No universo desse livro, existe o mundo humano comum sem magia que ignora completamente que existem humanos que escolheram viver em Conexão com a Magia [sacou o motivo do titulo do livro, né?]. Não se tratam de seres mágicos, mas de HUMANOS que vivem através de magia. Claro que existem as fadas, os homens-onças, sereias... eles estão lá, mas não são o foco da história.

Ao longo das eras, clãs inteiros optaram por viver do lado de lá da realidade: índios, africanos, celtas, mouros, saxões, portugueses... e com a magia, escolheram também manter suas tradições, algumas delas bem ruins, como escravagismo e tratamentos violentos dispensados às pessoas consideradas “traidoras”. E assim, temos um intricado e complexo sistema social arcaico em Conexão Magia, tão frágil, que qualquer coisa pode fazer explodir uma guerra entre os clãs. E é exatamente isso que vai acontecer.

Imagine que dentro das grandes cidades existem vilas inteiras, ou outras cidades dentro das cidades, cheias de pessoas que se vestem como na idade média, mas usam celulares e internet, rede de esgoto, e tem carros! — tudo devidamente ocultado dos olhos comuns, através da Conexão Magia.
Ler CM foi como ver um filme empolgante, cheio de ação em que a gente fica torcendo pras coisas se resolverem logo!

Com personagens bem construídos, a gente percebe que o anseio deles é bem parecido com o nosso: todos queremos amor. Todos desejamos encontrar o nosso lugar no mundo.

Destaque para Viriato: um cara que arrasta muitas sombras do passado e tenta fazer as coisas certas, mesmo quando está fazendo tudo errado. O livro todo tem uma pegada de conto medieval com realidade atual, com capítulos dinâmicos em que a gente quer saber o que está havendo com todo mundo e não dá tempo para mais nada: o leitor vai sendo consumido pela leitura e aí, meu amigo, só termina quando acaba.

O trabalho de pesquisa é evidente e ainda assim, não parece forçado no meio da leitura. As coisas acontecem e as informações vem junto, sem necessariamente termos que parar para recebê-las.

As personagens femininas são marcantes: Oriana (mãe de Gael) é forte e impetuosa, Anuk (uma mistura de raptora + amiga + namorada de Gael e 2% vilã) é um terremoto: se esconde atrás de uma carranca mal humorada e mandona e por onde passa não deixa nada em pé. Mas isso é só uma forma de esconder seu coração frágil e constantemente machucado. Carol (irmã mais velha de Gael) é corajosa, romântica e um doce de pessoa. Essas são apenas algumas das personagens femininas de Conexão Magia, tão bem desenvolvidas, que dá quase para tocá-las.

Para terminar essa resenha, só posso dizer uma coisa: “Adorei Conexão Magia e irei protege-lo!”
Leitura indicada para quem curte uma fantasia bem elaborada (sério, dá para montar fácil um sistema de RPG para essa aventura), personagens vívidos e tramas dignas de romances da realeza.
Vou ficando por aqui, folks!
Até a próxima!

CARMEM

em 9 de março de 2018


Sinopse: Amélia é uma jovem governanta começando seus trabalhos na Mansão Stern após ser contratada pelo excêntrico milionário Cássio. Aos poucos ela descobre que a mansão abriga mistérios e que giram em torno da pequena Carmen, a irmã mais nova.
Será que Carmen é apenas uma menina deslocada ou haveria um motivo sobrenatural para sua estranheza?

Mergulhe nesse mistério e descubra com Amélia o que pode acontecer nas sombras da mansão.


LEIA UM PEDAÇO DO PRIMEIRO CAPÍTULO:


 A charrete me deixou na entrada de uma estradinha de terra batida, ladeada por mato alto
e árvores. O condutor me disse que, seguindo por ali chegaria ao meu destino. Agradeci a carona
e segui. Aqui e acolá, as pedras me faziam pisar em falso, meus sapatos não estavam acostumados.

Me parabenizei mentalmente por ter escolhido um vestido cuja barra ficava pouco acima dos
tornozelos. Do contrário, teria uma boa quantidade de terra nas roupas. Sentindo o peso de minha
maleta, rezei para que a estrada chegasse logo ao fim. A viagem tinha sido cansativa e na ultima
noite havia dormido numa hospedaria na estrada, para garantir que chegaria pela manhã.

 Eu tinha sorte de chegar no alto da primavera, quando a neve e o sol mais frio tinham
ficado para trás. O caminho revelou uma leve subida e já estava ofegante ao finalmente enxergar
as grades grossas de um portão de ferro preto.

Além do portão havia um imenso jardim com estátuas brancas, retratando mulheres,
homens e crianças. Rosas brancas despontavam entre arbustos bem cuidados e outras plantas
ornamentais.

No centro do jardim havia um caminho de pedras lisas que se bifurcava ao chegar num
chafariz ornamentado de flores e tornava a se unir depois deste, apontando para o casarão.
Embevecida, puxei a corda do sino que localizei assim que me aproximei da grade.

Passados alguns minutos toquei novamente e ainda assim ninguém foi ao meu encontro. Resolvi
experimentar o portão e para minha surpresa estava aberto. Tive apenas que livrar o encaixe do
ferrolho e entrei no jardim.

Olhei ao redor e inspirei o perfume das flores. Depois de avançar além do chafariz, pude
ver melhor o casarão Stern. Uma construção sólida, quadrada e lisa. Havia pelo menos, oito
janelas de cada lado. A fachada inteiramente pintada de cinza. Era como se aquela casa não
pertencesse ao mesmo dono do jardim.

Meu estômago estremeceu. Jamais havia trabalhado numa propriedade tão imensa. Eu
tinha apenas 29 anos e nenhum resquício da segurança que deveria ter. Então respirei fundo,
apenas endireitei os ombros e segurei minha maleta com mais firmeza. No bolso do casaco minha
carta de recomendação.

Bati com a aldrava na porta de madeira maciça.  Ninguém. Bati novamente, controlando
a ansiedade. Nada. Lembrei-me do portão, e então segui o exemplo. A maçaneta estava
destrancada.

Entrei, cautelosa. A entrada da casa era marcada por um amplo salão sem mobília. O piso
era branco e tive certeza de que estava pisando em mármore. Logo a minha frente uma escadaria
larga que se bifurcava no andar de cima.

Haviam portas de madeira e vidro nas laterais do salão. Mantive silêncio procurando por
alguém que pudesse me receber, até ouvir um murmúrio vindo de uma das portas à esquerda.
Parecia que uma conversa se desenrolava e por mais que eu não quisesse parecer intrometida,
senti-me empurrada. Uma força magnética me puxava cada vez mais para perto.

— Olhos tristes são o que vejo em você.  — Ouvi uma voz masculina dizer.— Seus olhos
são enormes e me assustam, quando às vezes, e muito por acaso os encontro. Você não poderia
ser menos feia e desarrumada, Carmem? Anda sempre muda, esgueirando-se pelos cantos das
paredes, escondendo-se nas sombras atrás das portas desta casa imensa. Sua presença me enoja,
parece um bicho, não fala. Come sem maneiras.

Retraí-me. Quem falaria com outra pessoa assim?

— Os seus olhos tristes e enormes parecem cada vez maiores. — Ele continuou — Toda
vez em que me vejo obrigado a suportar sua imagem, são o que mais chamam atenção. Eles me
fazem perdoar toda a imundície que sua presença exala. Quero ver o quanto mais do seu rosto
estes olhos devorarão.

De onde eu estava, de frente para a porta semiaberta, pude ver o homem empertigar-se,
levantar da poltrona e aproximar-se de uma pessoa encolhida ao pé da escrivaninha. Dava para
ver um vulto vestido com panos encardidos. O rapaz suspirou e deu continuidade ao monólogo:

— Uma noite, sonhei que era toda olhos. Um grande par de olhos a vagar nesta casa, se
arrastando, como é de seu costume fazer. Foi uma visão medonha, tenho que admitir, mas... muito
intrigante. E penso se não é possível que se torne realmente aqueles olhos. Como sempre não fala
nada. É muda mesmo ou não sabe falar, criatura asquerosa?— Só então me dei conta de que se
tratava de uma garota, embora não pudesse ver seu rosto. A moça encolheu-se.

—Devia arrancar sua língua! É desnecessário mantê-la, se não a usa para nada!
O rapaz agachou-se e esbofeteou a menina com força. Limpou o sangue do anel num
lenço e ordenou que o deixasse em paz. Ela, por sua vez, arrastou-se para fora da sala, empurrando
com força a porta e deixando-a aberta de vez. Quase caí de costas com o movimento. Ainda me
sentia aturdida com o que acabara de assistir.

Enfiando o lenço no bolso do colete cinza, Cássio virou-se para mim lentamente,
parecendo finalmente atentar para minha presença.  Tentei controlar a tremedeira de meus braços.
De repente senti frio, mas busquei me manter firme nos segundos infinitos em que ele me encarou.
Na época me perguntei se ele sabia que eu estava ali, atrás da porta, acompanhando a cena
violenta. Hoje tenho certeza de que sabia, e mesmo assim não demonstrou constrangimento.
Tampouco parecia consternado ou envergonhado.

Ele apresentou-se como Cássio, dono do lugar e único herdeiro da família. Depois de uma
breve entrevista, passou-me a lista de obrigações e foi-se tão logo apresentou meus aposentos.
Meu quarto ficava no casarão, enquanto os outros empregados dormiam num pequeno prédio nos
fundos da propriedade. E assim fui admitida na Residência Stern.

Carmem era uma moça, cuja aparência me abstenho de descrever, por não encontrar
palavras que as valham. Tinha dezesseis anos, acho. Disseram-me que os jovens Stern eram
irmãos por parte de um dos pais. Nem sempre o que nos dizem é verdade. Quase nunca é.

...continua






Os Filhos de Anansi

em 17 de novembro de 2016

Autor: Neil Gaiman
Gênero: Ficção, Fantasia urbana, Romance
Páginas: 383
Editora: Conrad | 1ª edição 2006

Essa não é minha primeira resenha de um livro do Gaiman e muito provavelmente não será a ultima. Mas há algo nesse livro de hoje que é bem especial para mim, sendo sem dúvida, um dos meus favoritos indispensáveis.

Em Os filhos de Anansi, temos Charlie. Um americano natural da Flórida que há muito vive em Londres. Lá ele vive uma vida pela metade: Um emprego meio bom, uma casa meio boa, um meio noivado. Mesmo achando que tudo poderia ser melhor, acostumou-se com sua rotina meia-boca. Afinal, ele mesmo não se achava assim, tão bom para ter uma vida plena.

Charlie vê desmoronar o equilíbrio conquistado com tanto esforço quando recebe a noticia do falecimento de seu pai.

Durante a viagem para acompanhar o enterro, ele sofre ao lembrar o quanto o velho o fazia se sentir desconfortável e pagar mico constantemente. Seu pai tinha sido, no final das contas, o principal motivo para ter ido morar em outro país. Viajar para seu antigo lar significava remoer velhas mágoas, visitar lembranças que pareciam estar perdidas em algum porão antigo.

Embaixo de todo aquele conformismo, dentro de Charlie havia um garoto que não amadurecera o suficiente para se tornar homem. Para se tornar tudo o que ele poderia ser.

Para sua coleção de micos, Fat Charlie (como seu pai costumava chama-lo) chega atrasado ao enterro do pai, e encontra um rapaz extremamente parecido consigo mesmo, só que, com uma aparência, muito, muito melhor. Pouco tempo depois esse rapaz se apresenta como irmão gêmeo de Charlie e resolve ajudar o irmão a ter a vida que merecia ter.

Mas as coisas não eram tão simples assim. Nem de longe. De onde “brotara” esse irmão gêmeo? Por que seu pai jamais havia falado dele? E por que ele sabia tanto de Charlie e Charlie não sabia nada dele?

A jornada de Charlie é tão fascinante quanto a mitologia africana onde Gaiman montou o cenário obscuro da trama.  E é tentando desvendar esse mistério e se livrar das confusões em que o suposto irmão o mete “cheio de boas intenções”, é que Charlie finalmente acorda para si mesmo e para o mundo.

A narrativa é suave e tem aquele toque surrealista típicos das obras de Gaiman. Quem acompanhou Sandman sabe do que estou falando. Esse recurso consiste basicamente em narrar uma cena absolutamente insólita como se fosse a coisa mais natural do mundo. Fim. E não importa quantas vezes esse cara use isso. Sempre dá certo e eu sempre fico uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaau.

Anansi é o Homem aranha que conta histórias ao mundo. Na wikipedia tem a história caso esteja curioso, mas já adianto que a versão contada por Gaiman em uma passagem do livro é muito mais bonita.

A nova edição lançada pela Intrínseca é linda, mas não abro mão de jeito nenhum do meu exemplar lançado pela Conrad em 2006. Simplesmente adoro esse projeto gráfico!


Leitura indicada para quem adora fantasia urbana, romance e personagens super bem desenvolvidos.


OBS: Leitura obrigatória para fãs do escritor. E se achar que umas certas senhoras são muito parecidas com umas outras certas senhoras de O oceano no fim do caminho, pode ter certeza que não é mera coincidência. Fica a dica.


Topo