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Quadrinhos da minha estante #14

em 20 de abril de 2021

 

kombi 95

Autor: Thiago Ossostortos

Editora: Astral Cultural | Selo: Plot!

Gênero: Quadrinhos, Ficção

Páginas: 128

Hoje vou falar de um quadrinho que me causou um estranhamento inicial, mas que depois me trouxe uma grata surpresa e sensação de viagem no tempo para a década de 90.  Kombi 95 conta a aventura de um grupo de amigos da grande São Paulo na década de 90. O recorte da história deles se passa no exato ano de 95, quando surgiu um rumor/boato (versão analógica das fake news) de que homens vestidos de palhaço andavam de kombi branca e sequestravam crianças para vender seus órgãos. Como essa notícia se espalhou por tabloides e foi contada mil vezes,  numa época pré internet, ainda não sabemos. Mas fato é que a kombi dos palhaços se tornou praticamente uma lenda urbana.

E é num misto de lembranças próprias e muita referência pop dos anos 90, que Thiago Ossostortos nos trouxe um quadrinho autoral, cheio de cores e nostalgia. Então simbora para a resenha? Simbora.

Em Kombi 95, encontramos com Foguinho, Gelinho, Umbigo e Lumbriga na periferia de SP. Sim, são esses os apelidos dos adolescentes que resolvem montar um grupo de defensores depois do sumiço de um dos garotos da vizinhança. Claro que esse lance de defensores ia dar ruim, né? Ao longo da história, os garotos descobrem quem nem tudo é o que parece ser.

Parte do estranhamento que comentei no começo desse post se deve ao tempo que levei para me adaptar à narrativa. Mas quando entendi o que estava acontecendo, acabei fluindo com os personagens. Demorei um pouco a me acostumar com o bombardeio de referências, que acabou fazendo com que o cenário e a própria época se tornassem, praticamente, personagens junto com os garotos, o que considero uma característica positiva do quadrinho.


O fechamento da história vem tranquila e sem alarde (exceto por um acidente bem triste com um dos personagens periféricos). E a resolução do desaparecimento do garoto é revelada somente para o leitor, e ficamos com a interrogação sobre que tipo de conclusão o grupo de amigos chegou.

Pelo teor de violência e desventuras desse quadrinho, a idade de leitura para ele é de +16. Muito embora acho que somente quem passou pela infância e adolescência nessa época é que vai viajar na leitura.

Vou ficando por aqui e...

até a próxima folks! 

Quadrinhos da minha estante #12

em 30 de março de 2021

 


Hoje eu trouxe um quadrinho que estava na minha estante há, pelo menos, uns quatro anos. Bom, eu o trouxe comigo da bienal do Rio 2017, estamos em 2021... é, bem por aí mesmo. Sim, eu compro um monte de livros e quadrinhos e acabo lendo meses, às vezes, anos depois. E nem por isso as leituras ficam menos interessantes ou datadas. Como no caso do quadrinho de hoje que eu amei e pensei: "nossa, como não li isso antes?"


Em Peek a Boo - A masmorra dos Coalas nós conhecemos uma garotinha chamada Mambay, a gatinha Cassandra e Apolônio, um garoto que tem alergia a sol  e é... peixatariano. Ah, e não posso deixar de citar o Bruce. Ele é um morcego mil e uma utilidades super incrível.


Peek a Boo - A Masmorra dos Coalas


Autor: Psonha

Editora: Astral Cultural | Selo: Plot!

Gênero: Quadrinhos, Ficção, aventura, infanto juvenil

Páginas: 128

A história começa com Mambay sendo obrigada por seus pais a acampar. Ela e sua gatinha são inseparáveis, por tanto, as duas embarcam na viagem com os pais desnaturados. Chegando lá, eles conseguem perder a Mambay, que se embrenha na floresta e encontra uma casa na árvore. Eis que, na calada da noite, durante uma tempestade pavorosa, surge na casa da árvore, Apolônio e seu morcego, Bruce. Não, eles não queriam jantar a Mambay — é que aquela era a casa deles mesmo.

O garoto se compromete a acompanhar Mambay de volta ao acampamento, tão logo a chuva acabe. Só que as coisas não são tão simples assim, né? E é bem aqui que uma aventura muito maluca, cheia de cores e elementos inesperados começa. 

Os personagens são super carismáticos e temos ótimos diálogos. Enquanto Mambay é reclamona, não tem papas na lingua e admite ser uma chatonilda de carteirinha, Apolônio é educado e cortês e não entende bem por que, a despeito de todas as malcriações que tem ouvido desde que conheceu aquela garota, ainda está disposto a ajudá-la.

Esse é o primeiro trabalho que conheço, da ilustradora Psonha. As cores me encantaram e amei o estilo
Apolônio, Mambay e Pafúncio

de desenho dela, que, na falta de eu conhecer um nome melhor, vou chamar de "cartum  autoral". O enredo é divertido e leve (tem alguns trocadilhos em referência a cultura pop pré anos 2000), mas mantém uma pegada aventuresca e de transformação em certa medida da protagonista. Afinal, uma garota da cidade e que vive uma aventura maluca assim em uma floresta sem wi-fi nem papel higiênico, não pode dizer que voltou para casa da mesma maneira que saiu, né?

Os diálogos ficaram a cargo de Thiago Ossostortos, (já li Kombi 95 dele e pretendo falar desse quadrinho também em breve) e são um show a parte. Por falar em show, eu adorei os nomes dos personagens, não só dos protagonistas e seus pets, como os nomes de outros personagens, como o garoto Pafúncio e seu chapéu napoleônico e da Raposa pet. Sério a Raposa Pet é um espetáculo e a página dupla em que podemos vê-la por inteiro é a coisa mais "iti malia, que cuti-cuti me-tira-daqui-se-não-eu-vou-apertar-ela".

O projeto gráfico tá absoluto de lindo, capa dura, miolo colorido em couché, e tem um padrão de estampas muito lindinhos nas folhas de guarda, um mimo que dá vontade sim de deixar na estante embelezando a vista.

Leitura super bem humorada e indicada para quem quer uma aventura leve e com elementos que até podem passar por non sense, mas que na verdade, fazem todo o sentido no universo criado pela Psonha.


Vou ficando por aqui e... até a próxima, folks!

Dia Nacional das Histórias em quadrinhos

em 30 de janeiro de 2020


30 de janeiro é o dia nacional das histórias em quadrinhos e como adoramos esse gênero aqui no barato (Temos até uma série de posts chamado “Quadrinhos naminha estante” já conferiu?), resolvemos indicar as nossas HQs favoritas! Mas antes, um pouquinho de história:
Essa data foi escolhida para se comemorar o quadrinho nacional, por ter sido publicada em 30 de janeiro de 1869,  o que se considera a primeira história de quadrinho brasileira: “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte” do cartunista Angelo Agostini.
E desde 1984, a “Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo” (AQC-ESP) instituiu que todo o dia 30 de janeiro se comemoraria o Dia do Quadrinho Nacional, em homenagem ao trabalho de Agostini. Então, anualmente, a AQC-ESP também organiza o Prêmio Angelo Agostini, prestigiando o trabalho dos profissionais brasileiros que produzem histórias em quadrinhos.
Lá fora, um dos precursores dos quadrinhos foi o americano Richard Fenton Outcault, que introduziu o formato dos balões para as falas. E apesar das histórias em quadrinhos terem começado a surgir no finzinho do século XIX, é em meados do séc. XX que o conceito dos quadrinhos e suas técnicas começaram a ser desenvolvidas.
E nesses mais de cem anos de história, os quadrinhos arrebanharam fãs no mundo todo, assim como criaram personagens clássicos, e praticamente imortais da Marvel e DC. Aqui no Brasil é impossível não lembrar da Turma da Mônica do Maurício de Sousa, do Menino Maluquinho do Ziraldo, do Henfil, Laerte, Angeli, entre outros!
Indicação de HQ da Dany: Apagão


Apagão Cidade sem lei Luz é uma produção nacional de Raphael Fernandes e Camaleão, que me impressionou muito. Conta a história de uma São Paulo sem energia elétrica meses a fio. As pessoas enlouqueceram e o frágil véu da civilidade foi rompido pela animosidade humana. 

No meio desse caos, um grupo de rapazes criados pelo mestre capoeirista Apoema, “patrulha” a cidade salvando a pele dos mais ferrados. O protagonista é Dorival, um ex-blogueiro babaca que depois de ter a irmã sequestrada e de passar por um ritual bizarro de iniciação nas artes da capoeira, passa a ser chamado de Bugiu.

Apagão é cáusitco, cru e violento. É uma daquelas coisas que a gente termina de ler e pensa que valeu cada minuto de leitura.

Indicação de HQ da Josy: Batman O príncipe encantado das trevas



Em dois volumes, o roteirista e desenhista Marini narra mais uma aventura do homem morcego. Quando uma garçonete aparece na mansão Wayne exigindo que Bruce assuma a paternidade de sua filha de oito anos poderia já ser uma situação complicada. Mas, tudo piora quando Coringa descobre e resolve usar a situação para conseguir um presente de aniversário para Arlequina do milionário.
Com uma arte incrível, edição em capa dura e papel couchê. Verniz localizado na capa e sketches (rascunhos) das artes no final. Tem tudo para ser uma ótima aquisição para os amantes do Batman.


E por aí, você tem algum quadrinho nacional ou estrangeiro favorito? Conta pra gente!

Vamos ficando por aqui e... Até a próxima folks!



Fontes de pesquisa para esse post: calendarr.com e o livro Datas comemorativas, cívicas e históricas de Jacinta Cericato.



Noites sem Fim

em 10 de julho de 2019

Autor:  Neil Gaiman 
Arte: Richard Corben Glenn Fabry, Milo Manara, Miguelanxo Prado, Frank Quitely, P. Craig Russell, Bill Sienkiewcz e Barron Storey.
Páginas:  164
Editora: Panini Comics
Gênero: Fantasia



Em noites sem fim, passeamos por contos dos perpétuos, ilustrados por sete artistas diferentes. Todas as histórias, claro, escritas por Neil Gaiman. 

Já fazia um tempo que não lia nada do universo de Sandman, bem como também fazia um tempo que não lia nada do Gaiman. 

E nesse tempo, esqueci o poder de narrativa desse cara, e de como ele faz jus a sua fama. Lançado originalmente em 2003 e chegando á sua versão brasileira em 2014, Noites sem fim (ou Endeless Nights, no titulo original) tem uma linguagem sorrateira e suave que nos torna cativos de sua leitura. Quase como toda coisa que o Gaiman costuma fazer.

Os contos/ quadrinhos que mais mexeram com a minha cabeça foi 15 retratos de Desespero, em que vários mini contos e descrições de situações adversas mostram a presença e porque não dizer, a essência de Desespero. O outro conto que me deixou com baque por dentro, foi Delirium. Eu sempre tive uma quedinha por essa perpétua. De certa forma, me identifico com ela e nesse conto em que ela escorrega para dentro de si mesma e precisa ser resgatada, a gente percebe que tudo que existe tem sua própria função, inclusive as nossas paranoias.

Tanto Delirium quanto Desespero foram dois contos difíceis de digerir e nem sei se consegui em algum momento.

Outro ponto forte dessa HQ é o cunho experimental, a União de diversos artistas conhecidos, cada um mostrando sua própria versão de cada Perpétuo. Cada conto, ou capítulo, abre uma porta que não fecha depois do conto lido, pelo contrário. Elas ficam abertas, deixando o vento e as palavras ecoando depois da leitura.

Ainda estamos em julho, mas tenho para mim que Noites Sem Fim, foi uma das melhores leituras de 2019 até agora. Aliás, se você nunca leu nada do universo Sandman, pode encarar essa Grafic Novel numa boa: ela não exige conhecimento prévio para que as histórias ou personagens sejam assimilados.

Eu vou ficando por aqui, folks! Mas antes, um recadinho: Esse post faz parte da série Quadrinhos da Minha estante, onde sempre acabo falando de HQs e mangás que li e achei especiais.

Quadrinhos da Minha Estante #11

em 6 de novembro de 2018

Angela Della Morte

Autor:  Salvador Sanz | Arte: Salvador Sanz
Editora: Zarabatana[Edição Especial]Páginas:  96

Num futuro não tão distante, numa humanidade não tão diferente da nossa,  a morte na verdade é um ser vivo que se alimenta de almas. Quando nossas almas saem de nossos corpos,  temos 35 minutos para voltar. Depois desse tempo, a "morte" nos encontra e devora nossas almas. 

E é neste cenário que se desenrola a história de Angela, uma agente de campo dos Laboratórios Sibelius, especializada em simular sua própria morte, transferindo sua alma para corpos vazios e realizando missões sombrias que vão desde espionagem industrial até assassinatos encomendados. Muitas de suas missões, inclusive, envolvem combater espiões do "Governo Fluo", laboratório concorrente de Sibelius.
Quando bati o olho nessa capa, tudo me chamou atenção: Uma mulher astronauta em primeiro plano,  um macaco sombrio no segundo plano e lá atrás, um mecha gigante. Ah sim, presta atenção no cenário: se não estão na lua, com certeza estão em algum lugar do sistema solar fora da Terra. Na contracapa há um texto instigante do fundador dos Laboratórios Sibelius e um painel que mostra a protagonista mais uma vez. 

Folheei a HQ e sem dúvida alguma trouxe comigo para casa. Meu faro para boas histórias foi praticamente seduzido pelo traço forte e quase metálico de Salvador Sanz. 

O clima de fantasia e ficção cientifica de Angela Della Morte passeia entre o lúgubre  e o insólito. E apesar do cenário ser incrível, eu meio que me apaixonei pela simplicidade complexa da personagem de Angela. Ela é humana, não tem super poderes. Tem falhas de caráter, tem medos. Mas é excepcionalmente boa em seu trabalho. E chega a ser quase uma contradição, um paradoxo, que tudo dê errado na sua vida exatamente por ela ser muito boa no que faz. 

A história desse primeiro volume é dividida em 3 arcos: Desalmada, O Perecedor e Soltar a Fera (esses dois últimos divididos em duas partes). A gente não tem muito tempo para absorver o universo ou pensar a respeito do que estamos lendo. Depois de uma breve apresentação do cenário, já começamos a acompanhar  os acontecimentos na vida de Angela.



No terceiro arco, Angela e seu assistente (um agente que está ocupando o corpinho do macaco da capa) estão na lua. E como se as coisas já não estivessem sinistras o suficiente, Salvador Sanz mostra que sempre dá para piorar. O final mostra uma ponte para uma continuação que me deixou com uma colônia de pulgas alucinadas atrás da orelhas.

Saindo um pouco do foco da protagonista (que me cativou por ser simplesmente humana, boca dura, durona - ou nem tanto - e imperfeita), o enredo de Angela Della Morte surpreende pela forma simples com que temas complexos são apresentados e tratados. Além da morte ser um tipo de ser vivo que fareja e devora almas fora do corpo, o avanço cientifico tornou possível extrair a maldade humana (nomeada de veneno cinza) através de processos cirúrgicos. Sanz transformou sentimentos e conceitos em coisas tangíveis e passíveis de serem extraídas, manipuladas e usadas para fins nem sempre nobres, afinal, não importa o que aconteça, ainda somos humanos.

Esse álbum, publicado em 2012 pela Zarabatana Books é uma edição especial, que reúne os 5 primeiros  capítulos da HQ argentina, onde, originalmente, as aventuras de Angela Della Morte foram seriadas, produzidas e publicadas na revista Fierro. Informação que eu só descobri pesquisando para esse post, pois não há nada falando sobre isso na publicação brasileira. E para minha tristeza, o volume 2 nunca foi publicado por aqui e não sei se existem planos.

Leitura super indicada para quem curte sci-fi e fantasia com uma boa dose cáustica de existencialismo.

Vou ficando por aqui e... até a próxima folks! ✌


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